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REPESCAGEM – 34ª MOSTRA

05/11/2010 – Sexta

CINEMATECA – SALA BNDES

Sessão 1406 – 14:00

HERMANO (HERMANO), de Marcel Rasquin (96′). VENEZUELA. Falado em espanhol. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.

Sessão 1407 – 15:50

ANTONIONI SOBRE ANTONIONI (ANTONIONI SU ANTONIONI), de Carlo di Carlo (55′). ITÁLIA. Falado em italiano. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Curta: LE REGARD IMPOSÉ, de Carlo di Carlo(24′). Indicado para: LIVRE.

Sessão 1408 – 17:30

CHINA (CHUNG KUO – CINA), de Michelangelo Antonioni (208′). ITÁLIA. Falado em italiano, mandarim. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: LIVRE.

Sessão 1409 – 21:15

MEMÓRIAS DE XANGAI – I WISH I KNEW (I WISH I KNEW), de Jia Zhang Ke (125′). CHINA. Falado em mandarim. Legendas em português. Indicado para: 12 anos.

CINE LIVRARIA CULTURA 1

Sessão 1410 – 14:00

SOU TERRORISTA (ICH BIN EINE TERRORISTIN), de Valérie Gaudissart (94′). FRANÇA. Falado em francês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.

Sessão 1411 – 16:00

ABEL (ABEL), de Diego Luna (85′). MÉXICO. Falado em espanhol. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 anos.

Sessão 1412 – 17:50

A ÁRVORE (THE TREE), de Julie Bertucelli (100′). FRANÇA, AUSTRÁLIA. Falado em inglês. Legendas em português. Indicado para: 14 anos.

Sessão 1413 – 19:50

ROSA MORENA (ROSA MORENA), de Carlos Oliveira (95′). BRASIL, DINAMARCA. Falado em português, inglês, dinamarquês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.

Sessão 1414 – 21:50

A VALSA DAS FLORES (RYABINOVIY VALS), de Alyona Semenova, Alexander Smirnov (98′). RÚSSIA. Falado em russo. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.

Sessão 1415 – 23:50

HOWL (HOWL), de Rob Epstein, Jeffrey Friedman (90′). EUA. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.

CINESESC

Sessão 1417 – 14:00

ATÉ O FIM DO MUNDO – DIRECTOR´S CUT (BIS ANS ENDE DER WELT), de Wim Wenders (279′). ALEMANHA, FRANÇA, AUSTRÁLIA. Falado em alemão, inglês, francês, italiano, japonês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.

Sessão 1418 – 18:50

UMA CARTA PARA ELIA (A LETTER TO ELIA), de Martin Scorsese, Kent Jones (60′). EUA. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 anos.

Sessão 1419 – 20:10

JARDIM SONORO (NEL GIARDINO DEI SUONI), de Nicola Bellucci (86′). SUÍÇA. Falado em italiano, suíço-alemão. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: Livre.

Sessão 1420 – 21:50

PENSE GLOBAL, AJA RURAL (SOLUTIONS LOCALES POUR UN DÉSORDRE GLOBAL), de Coline Serreau (113′). FRANÇA. Falado em francês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.

Sessão 1421 – 00:00

SUBMARINO (SUBMARINO), de Thomas Vinterberg (110′). DINAMARCA. Falado em dinamarquês.Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.

06/11/2010 – Sábado

CINEMATECA – SALA BNDES

Sessão 1422 – 14:00

COMO EU TERMINEI ESTE VERÃO (KAK YA PROVEL ETIM LETOM), de Alexei Popogrebsky (124′). RÚSSIA. Falado em russo. Legendas em alemão. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.

Sessão 1423 – 16:30

HOWL (HOWL), de Rob Epstein, Jeffrey Friedman (90′). EUA. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.

Sessão 1424 – 18:20

SUBMARINO (SUBMARINO), de Thomas Vinterberg (110′). DINAMARCA. Falado em dinamarquês.Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.

Sessão 1425 – 20:30

EM UM MUNDO MELHOR (HÆVNEN), de Susanne Bier (105′). DINAMARCA. Falado em dinamarques, suéco, inglês. Legendas em português. Indicado para: 14 anos.

CINE LIVRARIA CULTURA 1

Sessão 1426 – 14:00

BUGSY MALONE – QUANDO AS METRALHADORAS COSPEM (BUGSY MALONE), de Alan Parker (93′). REINO UNIDO. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.

Sessão 1427 – 15:50

PINK FLOYD THE WALL (PINK FLOYD THE WALL), de Alan Parker (95′). REINO UNIDO. Falado em inglês. Legendas em francês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.

Sessão 1428 – 17:50

O MÁGICO (L´ILLUSIONNISTE), de Sylvain Chomet (80′). FRANÇA, INGLATERRA. Falado em francês, inglês, escocês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: Livre.

Sessão 1429 – 19:30

BEYOND (SVINALÄNGORNA), de Pernilla August (94′). SUÉCIA, FINLÂNDIA. Falado em sueco, finlandês. Legendas em italiano. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 anos.

Sessão 1430 – 21:30

JOSÉ & PILAR (JOSÉ & PILAR), de Miguel Gonçalves Mendes (125′). BRASIL, PORTUGAL, ESPANHA. Falado em português, espanhol. Legendas em português. Indicado para: Livre.

Sessão 1431 – 00:00

CATERPILLAR (CATERPILLAR), de Koji Wakamatsu (85′). JAPÃO. Falado em japonês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 anos.

CINE LIVRARIA CULTURA 2

Sessão 1432 – 14:00

ME ALUGO PARA SONHAR – PARTE 1 (ME ALQUILO PARA SOÑAR – PARTE 1), de Ruy Guerra (100′). CUBA. Falado em espanhol. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.

Sessão 1433 – 16:00

ME ALUGO PARA SONHAR – PARTE 2 (ME ALQUILO PARA SOÑAR – PARTE 2), de Ruy Guerra (100′). CUBA. Falado em espanhol. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.

Sessão 1434 – 18:00

ME ALUGO PARA SONHAR – PARTE 3 (ME ALQUILO PARA SOÑAR – PARTE 3), de Ruy Guerra (100′). CUBA. Falado em espanhol. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.

Sessão 1435 – 20:00

MICHEL CIMENT, A ARTE DE PARTILHAR FILMES (MICHEL CIMENT, LE CINÉMA EN PARTAGE), de Simone Lainé (52′). FRANÇA. Falado em francês, inglês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Curta: MANOEL DE OLIVEIRA ABSOLUTO, de Leon Cakoff(35′). Indicado para: Livre.

CINESESC

Sessão 1436 – 14:00

A VALA (LE FOSSÉ), de Wang Bing (109′). FRANÇA, BÉLGICA. Falado em mandarim. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.

Sessão 1437 – 16:10

MISTÉRIOS DE LISBOA (MISTÉRIOS DE LISBOA), de Raúl Ruiz (266′). PORTUGAL. Falado em português, francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 anos.

Sessão 1438 – 20:50

QUANDO PARTIMOS (DIE FREMDE), de Feo Aladag (119′). ALEMANHA. Falado em alemão, turco. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 anos.

Sessão 1439 – 23:10

BALIBO (BALIBO), de Robert Connolly (111′). AUSTRÁLIA, TIMOR LESTE. Falado em inglês, tetum, português. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.

07/11/2010 – Domingo

CINEMATECA – SALA BNDES

Sessão 1440 – 14:00

OUTUBRO (OCTUBRE), de Daniel Vega, Diego Vega (83′). PERÚ, ESPANHA, VENEZUELA. Falado em espanhol. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 anos.

Sessão 1441 – 15:40

MENINOS DE KICHUTE (MENINOS DE KICHUTE), de Luca Amberg (102′). BRASIL. Falado em português. Indicado para: Livre.

Sessão 1442 – 17:40

UM HOMEM QUE GRITA (UN HOMME QUI CRIE), de Mahamat Saleh Haroun (92′). FRANÇA, BÉLGICA, CHADE. Falado em francês, árabe. Legendas em português. Indicado para: 12 anos.

Sessão 1443 – 19:30

MINHA FELICIDADE (SCHASTYE MOYE), de Sergei Loznitsa (127′). ALEMANHA, UCRÂNIA, HOLANDA. Falado em russo. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.

Sessão 1444 – 22:00

ALMAS SILENCIOSAS (OVSYANKI), de Aleksei Fedorchenko (75′). RÚSSIA. Falado em russo. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.

CINE LIVRARIA CULTURA 1

Sessão 1445 – 14:00

SUBMARINO (SUBMARINO), de Thomas Vinterberg (110′). DINAMARCA. Falado em dinamarquês.Legendas em inglês.Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.

Sessão 1446 – 16:10

CARLOS (CARLOS), de Olivier Assayas (330′). FRANÇA, ALEMANHA. Falado em francês, alemão, inglês, espanhol, árabe. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.

Sessão 1447 – 22:00

OS DOIS ESCOBARES (THE TWO ESCOBARS), de Jeff Zimbalist, Michael Zimbalist (100′). COLÔMBIA, EUA. Falado em espanhol. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.

CINESESC

Sessão 1448 – 14:00

A VALA (LE FOSSÉ), de Wang Bing (109′). FRANÇA, BÉLGICA. Falado em mandarim. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.

Sessão 1449 – 16:10

SEM MEDO – AS CANÇÕES DE LUCIANO LIGABUE (NIENTE PAURA – COME SIAMO COME ERAVAMO E LE CANZONI DI LUCIANO LIGABUE), de Piergiorgio Gay (85′). ITÁLIA. Falado em italiano. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: Livre.

Sessão 1450 – 18:00

O SAMBA QUE MORA EM MIM (O SAMBA QUE MORA EM MIM), de Georgia Guerra-Peixe (72′). BRASIL, PORTUGAL. Falado em português. Indicado para: Livre.

Sessão 1451 – 19:40

LIXO EXTRAORDINÁRIO (WASTE LAND), de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley (99′). BRASIL, INGLATERRA. Falado em inglês, português. Legendas em português. Indicado para: Livre.

Sessão 1452 – 21:40

HOWL (HOWL), de Rob Epstein, Jeffrey Friedman (90′). EUA. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.

Exit Through the Gift Shop

Piada de bom gosto

Diversão e polêmica no documentário dirigido por Banksy

WILSON SAIKI JR.
O FINO DA MOSTRA

Sensação do último festival de Sundance, Exit Through the Gift Shop trabalha um aspecto do documentário que vem se tornando comum nos últimos anos, a mistura de realidade e ficção. O brasileiro Eduardo Coutinho em Jogo de Cena e o chinês Jia Zangke em 24 City já usaram desse artifício. Agora, o artista plástico/grafiteiro/diretor Banksy explora outras formas dessa mistura.

Banksy é reconhecido mundialmente por seu anonimato e suas obras polêmicas – entre elas grafitar no muro entre Israel e a Faixa de Gaza ou criar uma instalação distorcendo as tradicionais cabines telefônicas londrinas –, mas em Exit é apenas um dos personagens da história contada pelo “artista” francês Thierry Guetta. Logo na apresentação, Banksy aparece com a imagem escurecida e a voz distorcida para fazer um alerta: o documentário seria sobre ele, mas o personagem de Guetta tornou-se mais interessante.

Na primeira parte do documentário conhecemos a obsessão de um videomaker. Guetta vive nos Estados Unidos e não larga a sua câmera, produzindo imagens aleatórias. Até que descobre o mundo da arte de rua e se propõe a explorar esses artistas. Na Califórnia, em Paris ou Londres, passamos a acompanhar o trabalho de artistas de rua, como Space Invader e Shepard Fairey (aquele do pôster do então candidato Barack Obama e que assina a co-direção do filme).

Guetta, porém, apenas registra e não edita seu trabalho. Quando realiza seu grande objetivo – conhecer Banksy –, é que recebe o desafio: produzir um documentário com o material coletado durante anos. O resultado é desastroso e é a deixa para a segunda parte do filme. Agora o francês é desafiado a produzir sua própria arte, sob a alcunha de Mr. Brainwash (MBW).

Mr. Brainwash

A caricatura construída por Guetta convence a imprensa de Los Angeles, que, mesmo sem conhecer o “novo artista”, cria grande expectativa para a abertura de sua exposição de estreia. Longe de ser algo pequeno, Mr. Brainwash arrisca seu début Life Is Beautiful em um grande galpão nos antigos estúdios da CBS. Investindo na publicidade e no aval de artistas renomados (coincidentemente Banksy e Fairey), ele consegue atrair um grande público para a exposição. Suas obras? Clichês artísticos inspirados em Andy Warhol e exibidos em quadros e instalações.

O alvoroço no mercado de arte faz com que as obras sejam rapidamente vendidas, atraindo os “especialistas” em arte contemporânea. À época, Banksy soltou comentários irônicos sobre o sucesso do seu pupilo e provocou dizendo: “A capacidade da América de ser irritante é igualada apenas pela sua capacidade de reinventar-se em algo brilhante.”

Exit Through the Gift Shop
diverte e pode ser tema de boas conversas em mesas de bar. Tanto para duvidar da construção do “documentário”, como para discutir a arte contemporânea e os excessos de um mercado que cria figuras como Damien Hirst e Mr. Brainwash.

EXIT THROUGH THE GIFT SHOP
(Idem), 2010, Reino Unido. (87 min.)
Dir.: Banksy

26/10 (Ter) | 19:50 – Sessão 464 | Belas Artes 2
29/10 (Sex) | 19:50 – Sessão 763 | Espaço Unibanco 3

Metropolis

Nova versão restaurada de Metropolis é exibida no Parque Ibirapuera

Uma das exibições especiais da 34ª Mostra acontece neste domingo (24), às 20h, no gramado do auditório do Ibirapuera.


Apresentada pela primeira vez em Berlim, em janeiro deste ano, a nova cópia restaurada do clássico de Fritz Lang, Metropolis, será exibida com acompanhamento da orquestra Jazz Sinfônica, com regência do maestro João Maurício Galindo.

A nova cópia traz 25 minutos de material perdido inédito, encontrado no Museu do Cinema de Buenos Aires, em julho de 2008, e o processo de restauração levou um ano para ser concluído. Antes da exibição, às 19h, os alunos da Escola do Auditório do Ibirapuera farão uma apresentação.

Fonte: Assessoria Mostra

Modra

Que ficassem no Canadá

Longa canadense filmado na Eslováquia busca o equilíbrio e cai na indiferença

PEDRO DE BIASI
O FINO DA MOSTRA

A história de Lina (Hally Switzer) e Leco (Alexander Gammal) poderia se passar em qualquer lugar do globo. Por acaso, os dois adolescentes viajam para Modra, a cidade-título onde mora parte da família da garota. Depois de ser dispensada por seu namorado, ela tem em mãos uma segunda passagem Canadá-Eslováquia, e acaba convidando o atlético Leco, que mal conhece. Hospedados na casa da tia de Lina, o casal começa a se aproximar.

Pouco do que ocorre nos enxutos oitenta minutos é reflexo da terra estrangeira e da língua desconhecida. A questão principal é o bucolismo, que afeta os visitantes e a forma como se enxergam. A diretora, roteirista e produtora Ingrid Veninger tem como missão manter o equilíbrio em situações fáceis de perdê-lo. As montanhas ao redor da cidadezinha e a rotina pacata são vistas quase que sem deslumbramento, assimiladas com uma prazerosa entrega. A visão de Veninger não é a de uma viajante que visita um país pela primeira vez, e sim de alguém que já o visitou muitos anos atrás.

É importante destacar que os estreantes Gammal e Switzer fazem bons trabalhos, mas que o clichê “estão à vontade” não pode ser usado. Eles parecem quase soltos, mas não completamente, como se faltasse qualquer pitada de desenvoltura para que eles soassem naturais de fato. A situação pede por essa estranheza, esse reconhecimento parcial, o que firma um bem realizado processo de aproximação.

Mesmo que a proposta equilibrada não seja medo de ousar, Veninger às vezes se desequilibra. Para começar, o retrato da vivência bucólica sai dos eixos nas inúmeras tomadas ensolaradas, pendendo para uma breguice e um exotismo que não deveriam ser tão difíceis de evitar – ainda menos quando há tão poucos excessos no filme. Os acordes da trilha sonora parecem evitar o exagero, mas se tornam chamativos já que tocam demais, sempre que é conveniente.

Afinal, a própria questão do deslocamento se resolve na Eslováquia graças às afinidades de Veninger, nascida em Bratislava. O que importa é o ar genérico de afastamento e novidade, e não tanto as particularidades do lugar, das pessoas ou da língua – é bom notar que o mágico, elemento estranho, é mudo. Se tudo isso é um mero enfeite para os protagonistas canadenses, a viagem é supérflua.

MODRA
(Idem), 2010, Canadá. (80 min.)
Dir.: Ingrid Veninger

23/10 (Sáb) | 21:50 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 4
24/10 (Dom) | 13:30 | CineSesc
26/10 (Qua) | 16:00 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 6

Poesia

Vida e inspiração

Tema difícil é solucionado com atuação primorosa e belo roteiro

WILSON SAIKI JR.
O FINO DA MOSTRA

O cinema sul-coreano volta a ter um representante de peso na Mostra. Após o sucesso de Mother no último ano, Poesia traz um elemento similar – a força do papel maternal em ótimo estilo –, mas aprofunda outras questões existenciais.

Na primeira cena do filme, o espectador se depara com o corpo de uma jovem boiando em um rio, e crianças brincando à margem. Conhecemos, então, Yang Mija (Yoon Jeong-hee): uma senhora que divide seu tempo entre criar o neto de 16 anos, Jong Wook (Lee David), frequentar um curso de poesia e cuidar de um homem que sofreu um AVC, de onde tira sua renda.

Enquanto a vida aparentemente pacata dessa senhora de classe média-baixa é contada, ela passa a enfrentar uma suspeita de Alzheimer e um problema com o neto. Wook é acusado de participar, junto a outros cinco amigos, de sucessivos estupros contra uma garota que cometeu suicídio e deixou um diário relatando os casos. Para manter o crime sob sigilo, os pais dos estudantes reúnem-se e decidem indenizar a mãe da menina em 30 milhões de wons – o equivalente a 27 mil dólares.

Não, a partir daí o filme não entra em uma reviravolta, na qual Mija teria que conseguir desesperadamente o dinheiro para ajudar o neto. Ela continua frequentando o curso de poesia e buscando sua veia literária, além disso, em nenhum momento confronta o neto sobre o que teria de fato acontecido e continua com a mesma rotina, entre broncas pela bagunça deixada pelo garoto na casa e partidas de badminton na rua.

A beleza do filme está na primorosa interpretação de Yoon Jeong-hee, atriz de 66 anos, estrela do cinema sul-coreano nos anos 60 e 70 e que ainda guarda belas feições. Destaque também para a direção correta de Lee Chang-Dong e para o roteiro, premiado no último festival de Cannes, e adaptado de um livro. Poesia reafirma a força do cinema sul-coreano.

POESIA
(Shi), 2010, Coreia do Sul. (139 min.)
Dir.: Lee Chang-Dong

23/10 (Sáb) | 15:50 – Sessão 197 | Espaço Unibanco Pompéia 1
24/10 (Dom) | 21:40 – Sessão 215 | Frei Caneca Unibanco Artplex 1
25/10 (Seg) | 16:10 – Sessão 313 | Frei Caneca Unibanco Artplex 1

Minhas Mães e Meu Pai

Uma família pouco convencional

Em Minhas Mães e Meu Pai, conflitos típicos permeiam um moderno núcleo familiar

JÉSSICA FIORELLI
O FINO DA MOSTRA


Casadas há quase duas décadas, Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening) fizeram a família crescer por meio de inseminação artificial. Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson) são os filhos do casal concebidos a partir do mesmo anônimo doador de sêmen.

A primogênita acaba de completar 18 anos e está prestes a ir para a universidade. Apesar de já ter atingido a idade exigida para poder entrar em contato com o pai biológico, Joni decide procurá-lo apenas para satisfazer o pedido do caçula Laser. E aí que os irmãos se deparam com descolado Paul (Mark Ruffalo), e logo o inserem no cotidiano da família.

Dirigido por Lisa Cholodenko, o longa retrata mudanças e problemas enfrentados por qualquer família, como os da adolescência e da relação entre casal. Mas todo esse mote não é levado às telas com uma carga de drama. Ao contrário, a comédia é o gênero em que o filme mais se enquadra.

Apesar de alguns conflitos da trama envolverem o casamento gay, é interessante notar que a união homossexual não é centro da história. A relação de Nic e Jules é tratada com uma naturalidade pouco vista antes nos cinemas, e é claro que alguns clichês contribuem para esse retrato.

A atuação é um dos pontos fortes em Minhas Mães e Meu Pai. Annette Bening, mesmo vestindo o estereótipo do “homem da casa”, faz uma interpretação carismática e bastante contundente. Julianne Moore e Mark Rufallo, ao contracenarem algumas das sequências mais engraçadas, complementam o notável elenco.

A superficialidade ficou por conta da construção dos personagens de Mia Wasikowska e de Josh Hutcherson. A atriz, que protagonizou o recente Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, faz apenas o mínimo em seu papel, já que suas pequenas crises de uma adolescente que está a caminho da vida adulta não convencem muito. Quanto a Hutcherson, o influenciável garoto esportista e de pouca personalidade fica à margem da história a partir da metade do filme.

Indie rock e clássicos – como David Bowie e Joni Mitchell – compõem a divertida trilha sonora da produção. A música também tem papel no título original, The Kids Are All Right, pois é uma referência ao nome de uma canção da banda The Who.

MINHAS MÃES E MEU PAI
(The Kids Are All Right), 2010, Estados Unidos. (106 min.)
Dir.: Lisa Cholodenko

24/10 (Dom) | 22:00 – Sessão 259 | Cine Livraria Cultura 1
25/10 (Seg) | 17:40 – Sessão 318 | Frei Caneca Unibanco Artplex 2
26/10 (Ter) | 19:50 – Sessão 472 | Cinemark Eldorado 7
01/11 (Seg) | 00:00 – Sessão 1028 | Frei Caneca Unibanco Artplex 1

Cópia Fiel tem sessão nesta sexta-feira (22)

Igual e diferente

Abbas Kiarostami filma na Itália com uma francesa e um inglês, mas continua um cineasta distinto

PEDRO DE BIASI
O FINO DA MOSTRA

A ambientação e as línguas de Cópia Fiel podem fazer estranhar tal produção na filmografia do diretor e roteirista iraniano Abbas Kiarostami. Seria um engano: a noção de cópia já estava presente nas encenações ambíguas de Gosto de Cereja e Através das Oliveiras. O escritor James Miller (William Shimell) e “Ela” (Juliette Binoche) entram em longos confrontos de idéias sobre a autenticidade e o valor que um artefato original carrega. Saindo das regras de sutileza da narrativa clássica, o tema em questão é abordado frontal e incessantemente, o que só torna o filme mais difícil.

Digamos que uma trama é construída em torno de um subtexto de forma a não deixá-lo ressaltado. Uma vez percebido pelo espectador, o detalhe passa a sensação de descoberta, como um enólogo reconhecendo as nuances de um vinho. É gratificante. Por outro lado, se a bebida viesse com a lista dos processos de sua fabricação e de todos os seus aromas e sabores, não restando nada a ser notado, seria muito mais difícil para um apreciador se gabar de sua percepção.

Isto se dá com o filme de Kiarostami não apenas pela inteligência das metáforas, mas porque elas já vêm crivadas de questionamentos e constatações. De que adianta apontar que o amor entre a mulher e James é como que uma cópia de outra relação? Discorrer sobre os conceitos apresentados pelo roteiro também é fútil, visto que os protagonistas verbalizam ao máximo a discussão ao longo do dia que passam na vila de Lucignano.

A visão da cópia como um artefato dotado de valores, independentemente de sua natureza mimética, questiona o ato de copiar, que por sua vez carrega certa mistificação e valorização icônica da obra “original”. No entanto, a reprodução pode ser vista como autêntica por leigos, ou até mesmo para estudiosos. Em outras palavras, a autenticidade não é só problematizada, como também relativizada.

Kiarostami trabalha com a analogia o tempo todo, a exemplo do passeio no vilarejo de Lucignano, que referencia outro trajeto. Tudo na relação do casal traz ecos velados de outras situações – para não dizer de outros filmes de romance. Mais que isso, o casal é influenciado pelas pessoas que encontram, especialmente no que estas dizem sobre o que há de mais fundamental nos relacionamentos amorosos. É então que discursos piegas aparecem, remetendo a convenções moralistas que “deveriam ser” superadas.

Mais brilhante é como ideias profundas e facilmente associáveis à trama principal são destrinchadas ao limite, expondo o que há de mais interno naquelas mentes. Não é apenas o desnudamento emocional, é a intelectualidade descascada que revela o “ridículo” e “estúpido” que habita o cérebro humano – sem repulsa às convenções. A questão está mais na percepção de que tudo gira em torno de eixos inevitáveis. Tudo é original e tudo é cópia.

O uso do campo/contracampo, com Shimell e Binoche mirando a câmera de frente, deixa claro que o autêntico existe, mas não é sólido. Entre cópias de sentimentos antigos e manifestações inéditas de mudança, os personagens transformam suas imagens de forma tão veloz que não pode ser percebida. O original e o copiado se embaralham no rosto dos atores, na apreensão frontal de suas expressões, na posição da câmera como espelho, interlocutor, vítima, ou seja, parte integrante da (re)construção.

Sendo assim, mais importa a cópia infiel, as distorções pelas quais todas as percepções passam – inclusive a do espectador. Pois, quando um dos protagonistas é enquadrado, falta o outro lado. Ao jogar com pressupostos de percepção pura, Kiarostami confecciona significados que não se furtam da relatividade nem em uma cópia fiel. A coragem do cineasta de deixar a inteligência em suspenso é fenomenal.

CÓPIA FIEL
(Copie Conforme), 2010, França/Itália/Irã. (106 min.)
Dir.: Abbas Kiarostami

22/10 (Sex) | 23:40 – Sessão 65 | Espaço Unibanco 3
23/10 (Sáb) | 14:30 – Sessão 170 | Reserva Cultural 1
24/10 (Dom) | 19:50 – Sessão 282 | Belas Artes – Sala 2
25/10 (Seg) | 17:40 – Sessão 356| Cine Livraria Cultura 1