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A necessidade e a dificuldade da escolha

Sinceridade marca filme dinamarquês sobre relações familiares

 ADRIANO GARRETT
O FINO DA MOSTRA

 Agraciado com o Prêmio da Crítica no último Festival de Berlim, Uma Família já apresenta ao espectador, desde as cenas iniciais, um conflito que permeará todo o filme. Após Ditte (Lene Maria Christensen), que é dona de uma galeria de arte na Dinamarca, se entusiasmar com uma oferta de emprego vinda de Nova York, o longa é interrompido para a exibição de um curto vídeo em preto e branco que mostra toda a tradição da família da moça, os Rheinwald, que possuem uma padaria há quatro gerações e que, há algum tempo, são fornecedores oficiais da corte dinamarquesa.

A escolha inicial de Ditte, que namora o artista plástico Peter (Pilou Asbaek), depende da saúde do pai, Rikard (Jesper Christensen), que se curou de um câncer recentemente. Por acreditar que ele não corre mais riscos de saúde, a moça decide ir para Nova York, mas outros acontecimentos insistem em adiar a ida para os EUA, o que faz com que o filme cresça em sua abrangência temática, não se limitando apenas a falar sobre um conflito familiar/geracional.

Uma gravidez que se torna indesejada, a volta da doença do pai, a necessidade de seguir a tradição centenária da família, enfim, uma série de obstáculos são colocados para dificultar a viagem do casal para a América. E, no meio de tantas decisões difíceis, a diretora Pernille Fischer Christensen consegue tirar de seus atores/atrizes atuações verdadeiras, em grande parte pela falta de vontade de julgar os seus personagens.

Conduzindo o filme deste jeito, por mais pesados que os temas abordados possam parecer (e o são, na realidade), a diretora atinge o tom ideal para contar a história, que trata de difíceis escolhas. A família, apesar de ser um fardo indissociável (a necessidade de preservar a padaria, por exemplo, é tida como obrigação pelo pai), é também o local em que os maiores ciclos da vida se desenvolvem. Por isso, quando o núcleo maior dos Rheinwald está prestes a se desintegrar, as reações opostas dos familiares se encontram no final, quando o que resta para todos, especialmente para Ditte, é o começo de mais um ciclo. 

UMA FAMÍLIA

(En Familie), 2010, Dinamarca. (102 min.)
Dir: Pernille Fischer Christensen 

27/10 (Qua) | 15:50 – Sessão 546  | Espaço Unibanco 3
30/10 (Sab) | 15:40 – Sessão 818 | Unibanco Arteplex 1

A liberdade agonizante

O novo filme do cineasta tailandês traz uma visão melancólica da experiência humana – e das outras além
 
PEDRO DE BIASI
O FINO DA MOSTRA
 
Desde o início, Apichatpong Weerasethakul esteve atrás de liberdade. A busca transparece tanto nas pulsões que movem os personagens quanto na produção em si. Em Eternamente Sua o ideal é perceptível, tanto quanto suas limitações: um dia na floresta pode ser livre de tudo que existe fora, mas continua sendo apenas um dia.
 
Então, a solução foi estender a lógica e dinamizar os processos da narrativa. Com Síndromes e um Século, uma percepção fresca de acontecimento cênico e narrativo é valorizada. Mais que distensão, a palavra-chave é dispersão, pois histórias, personagens, espaços e eventos vão e vêm, tendo em comum apenas a visão grave do cineasta. Esta proposta se intensifica em Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas.
 
É verdade que a trama é mais compacta que a do longa anterior de Weerasethakul, pois Boonmee, sua cunhada Jen o filho desta, Thong, participam de boa parte da trama. Os locais, como a casa de Boonmee, o campo ao lado e as florestas próximas também causam uma sensação (mais que uma percepção mensurável) de unidade. Na linha narrativa, apenas uma digressão, sólida e linear, é introduzida. Mesmo assim, é possível ver a lógica do universo fílmico se repartir.
 
A cena do jantar apresenta várias perspectivas díspares. Lendas anunciam entidades mitológicas, aparições se insinuam pelo misticismo da morte, um flerte com a criptozoologia aponta para animais desconhecidos e novas possibilidades de presença cênica são permitidas pela transmutação corpórea e espiritual no além-vida. E mesmo levando em conta o coletivo destas noções de mundo, existe alguma coesão – de novo, mais sensível que perceptível – nas partes e no todo.
 
A liberdade para não destrinchá-las, às vezes apenas tocando-as brevemente, eleva o filme a um estado onírico nada etéreo. Os macacos-fantasma, por exemplo, têm nome e comportamento definido, mas sua natureza se mantém misteriosa – em parte graças à maravilhosa fotografia, que os destaca ao homogeneizar o ambiente. A firmeza de cada devaneio, em alternância com rotinas e dramas mundanos, já garante a predisposição do diretor a evitar atmosferas triviais e generalizantes, pois encontramos muitas em trânsito no filme. E esta é apenas a dispersão posta em prática na estrutura narrativa.
 
É de se estranhar a pronunciada montagem, sendo este um filme de “Joe” (como Weerasethakul se intitula para estrangeiros). O interior do carro, recorrente nos filmes do cineasta, passa por vários cortes, de um personagem para o outro e para a estrada em frente. Em comparação com Eternamente Sua ou Síndromes e um Século, os planos são breves, indicando que há muito a enquadrar e muitas maneiras de fazê-lo.
 
Afinal, tudo que a obra acompanha parece prestes a se despedaçar. Este é inclusive o movimento, gradual ou brusco, de todos, mais ou menos ajudados pelo meio: a princesa que se livra de suas jóias, o líquido que escorre de Boonmee, os macacos-fantasma que se multiplicam e a própria percepção da morte como ruptura com quase todos os pontos de convergência da vida.
 
Todos passamos por esse processo de dispersão sem notar, seja em vida (atenção para a tevê) ou na morte. E como fica a liberdade? Seriamente lesada, a julgar pela passagem que fecha o filme: uma simples bipartição aleija as duas metades. Uma conversa de Boonmee com sua falecida esposa Huay reforça o pessimismo, pois a perda de amarras é compulsória, jogando os mortos em incerteza. O indivíduo é livre, na vida ou na morte, para acertar e errar, mas apenas dentro de regras auto-estabelecidas.
 
É uma constatação conquistada com o suor de um cineasta que vive sua utopia enquanto realizador. Mesmo vivendo essa liberdade expressiva, ele não consegue enxergá-la como uma perspectiva positiva para o mundo. O cinema é seu sonho, onde, de alguma forma ilógica, a divisibilidade torna a obra mais sublime.

TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS
(Lung Boonme Raluek Chat), 2010, Tailândia, Reino Unido, França, Alemanha, Holanda, Espanha. (113 min.)
 
30/10 (Sáb) | Unibanco Arteplex 1 – Sessão 819 | 17:50
31/10 (Dom) | Reserva Cultural 1 – Sessão 988 | 19:20
02/11 (Ter) | Unibanco Arteplex 2 – Sessão 1120 | 21:00

Atração Perigosa entretém, mas desliza nos clichês

Direção e atuação de coadjuvantes são destaque de filme de Ben Affleck

RODRIGO TOLOTTI
O FINO DA MOSTRA

Ben Affleck nunca foi considerado um ator excepcional, mas sua carreira como roteirista, apesar computar apenas duas produções, é bastante premiada (ganhador do Oscar e Globo de Ouro, ambos por Gênio Indomável, em 1998). Em Atração Perigosa, Affleck volta a roteirizar e dirigir após três anos.

A trama é muito bem articulada, mas cheia de clichês. A película se passa em um pequeno bairro de Boston, Charlestown, onde mais de 300 roubos a bancos ocorrem por ano. Doug (Ben Affleck) é líder de uma gangue que age na região. Após um assalto, ele conhece Claire Keesey (Rebecca Hall), gerente do local, e se apaixona por ela. A partir disso ele decide mudar de vida e realizar seu último crime.

Seu melhor amigo e quase irmão, Jem (numa ótima atuação de Jeremy Renner), desconfia da lealdade de Doug e pede para que ele siga Claire, cuidando dela para que eles não corram o risco de serem encontrados pelo FBI. Mas Doug não sabe se faz isso ou se abandona a vida de crimes para fugir com a amada.

É uma boa produção, mas se prolonga mais que o necessário. Situações como a paixão entre o bandido e a vítima e a vontade de largar a vida de criminoso são clichês. Affleck tenta criar uma reviravolta na história explicando o passado de Doug, mas não é o suficiente para surpreender o espectador.

Baseado no romance Prince of Thieves, de Chuck Hogan, Affleck faz um bom trabalho ao mostrar a história desse pequeno bairro, onde a “profissão” de assaltante é passada de pai para filho. Além disso, as grandes atuações dos coadjuvantes engrandecem essa obra, que não é espetacular, mas também não deixa de ser uma boa diversão. 

ATRAÇÃO PERIGOSA
(The Town), 2009, Estados Unidos. (125min).
Dir.: Ben Affleck

26/10 (Ter) | 21:30 |Cine Tam – Sala 4
27/10 (Qua) |21:40 |Cine Livraria Cultura 1

A convenção X William S. Burroughs

Ao falar de um dos escritores mais ousados do século passado, documentário adota um formato convencional

PEDRO DE BIASI
O FINO DA MOSTRA

Uma das técnicas que o escritor William S. Burroughs usava era a “cut-up”, que consistia em cortar textos comuns em vários pedaços e rearranjá-los para gerar um sentido distorcido. Processo similar era o do “fold-in”, que consiste em dobrar a folha de um livro, jornal ou revista para baixo e lê o texto que se forma com a metade da primeira página com a metade da página abaixo. Os dois métodos foram utilizados por Burroughs. Por que, então, William S. Burroughs: Um Retrato Íntimo é tão convencional é um mistério.
 
O diretor Yony Leyser aborda aspectos variados da vida do autor, como sua alardeada homossexualidade, as experiências com drogas, o vício em heroína e a fixação por armas de fogo. O título sugere revelações sentimentais que são feitas ao longo do filme, mas sobram muitas lacunas em que ninguém encontra explicação. Neste quesito misterioso, e menos no emocional, o formato quadrado do documentário pesa negativamente.
 
Não contente apenas em setorizar as facetas de Burroughs, Leyser ainda escancara a escolha através de pequenas vinhetas em stop-motion, bem feitas, mas patéticas em sua função simplória. Toda e qualquer anarquia, liberdade destrutiva, desapego a ditames – ou seja, qualquer possibilidade não-óbvia – vem diretamente dos registros audiovisuais e escritos do escritor. Quando os fragmentos de entrevistas, frases polêmicas e registros caseiros causam alguma impressão, é porque falam por si só.
 
As referências autobiográficas em vários dos livros do autor são meramente tangenciadas, nunca trabalhadas; as polêmicas seguem um caminho engessado de exposição-consequência-justificativa-elogio; até mesmo a escolha predominante por declarações de artistas amigos ou influenciados (Cronenberg, van Sant, Waters, Iggy Pop, Patti Smith, Genesis P-orridge) revela um esquematismo difícil de engolir.
 
O trunfo que resta é a inusitada busca ao homem sentimental. Que ele seja encontrado, ao lado de uma fragilidade que ia muito além de senilidade e problemas com drogas, é uma surpresa não só para a figura pública, como para o retrato feito ao longo do filme. Detalhes menos pessoais, como o gosto por atirar com revólveres e espingardas, permanecem turvos, ao passo que os afetos amorosos são devassados com uma naturalidade quase elementar.

Esse viés específico tem a prerrogativa de seguir uma lógica linear – no caso, investigativa e dedutiva –, já que sempre teve como objetivo montar uma faceta obscura, de aspectos fragmentários. Daí para desculpar todo o desserviço de fazer um verdadeiro catálogo humano há uma grande distância. A linearidade não fere a integridade do documentário nos casos particulares, e sim no contexto geral.
 
Por mais que a investigação de Leyser tenha sido produtiva, seu medo de experimentar puxa a obra para baixo de forma irremediável. Um registro esquemático de William S. Burroughs, que, em sua época, pensou coisas que “nem eram ilegais ainda” é puro desperdício. Não precisava emular o autor, mas se bastar nos cânones narrativos é quase uma ofensa.

(William S. Burroughs: A Man Within), 2010, EUA. (87 min).
Dir.: Yony Leyser
 
29/10 (Sex) | 16h40 – Sessão 767 | Reserva Cultural 1

Estranhos no ninho

Neonazismo e homossexualidade se entrelaçam no longa dinamarquês

NATALIA HORITA
O FINO DA MOSTRA

O primeiro longa do diretor dinamarquês Nicolo Donato, Irmandade, tem tudo para passar despercebido pela 34º Mostra Internacional de São Paulo… infelizmente.

Sem recorrer a clichês puídos ou análises desgastadas, o filme consegue abordar dois temas espinhosos sem apelar para o sensacionalismo ou melodrama. Após ser demitido do exército, Lars (Thure Lindhardt) passa a integrar um grupo neonazista liderado por Fatty. Apesar de relutar no começo, o ex-militar começa a compactuar com as ideias propagadas pelo grupo. Expulso de casa, Lars vai morar com Jimmy (David Dencik), também membro da fraternidade, com quem logo esboça um tratamento que ultrapassa a linha da amizade. A relação homossexual se desenvolve aos poucos, com uma cautela por parte de ambos por ir tão contra suas convicções de extrema direita. Mas, inevitavelmente, cai no conhecimento de todos.

O filme se assemelha a obras como Tolerância Zero, filme de 2001 que apresenta um protagonista judeu e neonazista. A trama focada nas heranças da segunda guerra tinha tudo para se submergir aos clichês que enevoam o assunto. Só que ao abordar somente essa polêmica – a ética nas ações do grupo neonazista nunca são contestadas – o diretor consegue cristalizar um único debate, ao invés de tentar abraçar o mundo e superficializar as discussões. Pelo contrário: somente algumas cenas remetem ao assunto, como as da deliberação que envolve um ataque a um refúgio de gays e imigrantes ou uma briga em um bar em que o grupo se depara com um casal homossexual.

As atuações também merecem destaque. O casal de protagonistas consegue traduzir claramente o conflito interno que enfrentam, sem deixar resíduos de dramatização excessiva ou até mesmo sensacionalismo. O embate psicológico transparece nas feições agoniadas de cada um, que tentam coibir o sentimento que aflora com a convivência – sem êxito.  A única cena sexual do filme não apela para a vulgaridade. É lenta, e consegue produzir efeito sem mostrar explicitamente muita coisa.

Irmandade acerta por ser unifocal. Não se perde nem se deixa seduzir pelas inúmeras polêmicas que podem ser alavancadas a partir de brechas como o grupo neonazista, a homossexualidade, a discriminação e a violência. Ao mirar apenas o problema psicológico que o casal enfrenta e algumas consequências de suas orientações, o longa expõe mais um impasse ao qual os homossexuais estão submetidos. É um filme que provoca.

IRMANDADE
(Brotherskab). Dinamarca. 97 min.
Dir.: Nicolo Donato
01/11/2010 | 18h | Sala Cinemateca BNDES

Os Inquilinos

Realidade nua e crua

O crescimento da violência e as mazelas de nossa sociedade são retratados em novo filme de Sérgio Bianchi

ADRIANO GARRETT
O FINO DA MOSTRA

Em tempos de disseminação de frases de auto-ajuda, no estilo “tudo vai dar certo”, é bom que certos filmes fujam dessa tendência, e tentem dar um novo olhar aos nossos problemas sociais. Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi, se encaixa nesse tipo. O diretor, que já havia se notabilizado com seus filmes anteriores por não ter medo de mostrar as mazelas de nossa sociedade, faz isso novamente em seu novo filme.

Acusar Bianchi de ser pessimista demais é fácil. O problema é que a realidade mostrada em seus filmes não dá margem a outra visão. E é essa falta de perspectivas que causa no espectador uma sensação de incômodo. Porém, é isso também que nos instiga a refletir sobre o que é exibido, já que percebemos aos poucos que aquilo está muito mais ligado ao nosso cotidiano do que imaginamos.

A família de Valter, personagem principal do filme, sente isso na pele quando novos vizinhos, os inquilinos do título, chegam à casa ao lado. Com toda a aparência de bandidos, eles vão, aos poucos, mudando a rotina dos adultos, que assistem pela janela ao crescimento da violência na frente de seus próprios olhos.

O fio condutor de toda trama é Valter. Entregador de frutas de manhã, ele estuda a noite para tentar recuperar o tempo perdido e buscar melhorar de vida. Com a chegada dos vizinhos, torna-se cada vez mais perturbado e paranóico, por não suportar a situação humilhante que é construída aos poucos. O pior de tudo, para ele, é não poder fazer nada para mudá-la.

A violência, tão espetacularizada em programas de TV como o de José Luis Datena (que aparece em uma parte do filme), torna-se agora, para aquela família, uma realidade próxima. É um retrato de uma situação em curso no país, onde famílias que viam o crime como algo distante, de TV mesmo, passam a ter um contato real com ele, de uma forma ou de outra.

Mas não é só essa a mensagem que o filme quer passar. Ele também abre nossos olhos para outras graves situações que, hoje em dia, já deixamos de nos preocupar, de tão banais que se tornaram. O crime organizado, a erotização infantil, a pedofilia, o preconceito social e a falta de limites das crianças são alvos de alfinetadas de Bianchi, em cenas que mais se parecem com um soco na cara do espectador, visando acordá-lo para a realidade.

É, enfim, um filme duro, que não acredita em heróis. Nele, todos já foram, de alguma forma, corrompidos pelo sistema, e não há uma esperança em mudar este fato.

Sérgio Bianchi, quando perguntado se sua visão sobre as coisas não seria cética demais, respondeu que não tinha uma visão cética. Somente apresentava os fatos como eles são. Seria bom que mais filmes fossem como esse: duros, mas necessários, escancarando a mediocridade de uma sociedade com tantos defeitos.

OS INQUILINOS
(Idem), 2009, Brasil. (103 min.)
Dir.: Sérgio Bianchi

01/11 (Dom) | 18:20 – Sessão 1004 | Cine Bombril 1

Anunciados os finalistas da 33ª Mostra Internacional de Cinema

NATALIA HORITA

O FINO DA MOSTRA

Aconteceu na manhã deste sábado (31/10/09) a coletiva que divulgou os finalistas da 33ª Mostra Internacional de Cinema. O júri formado por Ali Özgentürk (turco), Suzana Amaral (brasileira) Goran Paskaljevic (sérvio), Marco Bechis (chileno), todos cineastas, e crítico francês de cinema, Jean-Michel Frodon, deu seu parecer sobre a Mostra deste ano.  Recebendo esta renomada nata cinéfila estavam os dois idealizadores da Mostra, Leon Cakoff e Renata de Almeida.
Pareceu ensaiado: todos os membros da mesa salientaram a relevância da participação direta do público na hora do voto para primeiro e segundo lugar. Özgentürk fez questão de destacar  que este festival “teve importância e diferença, pois educou e chamou novas pessoas que querem assistir cinema”. São dois filtros para que se conheça, finalmente, os vencedores. Primeiro o público vota numa lista, que passa então pelo crivo do júri oficial.
A lista de 12 finalistas conta com 2 brasileiros, 1 francês, 1 suiço/francês, 2 alemães, 1 sueco, 1 uruguaio

Bollywood Dream – O sonho bollywoodiano, de Beatriz Seigner – Brasil
Um Homem Qualquer, de Caio Vecchio – Brasil
Cúmplices, de Frédéric Mermoud – França/Suiça
Dor-Fantasma, de Mathias Emcke – Alemanha
Os Dispensáveis, de Andreas Arnstedt – Alemanha
Metropia, de Tarik Saleh – Suécia
Mau Dia Para Pescar, de Alvaro Brachner – Uruguai e Espanha
O Aniversário, de Marco Filiberti – Itália
Querido Lemon Lima, de Suzi Yoonessi – EUA
Voluntária Sexual, de Kyong-Duk Cho – Coréia do Sul
Zero, de Pawel Borowski – Polônia

Separados desta lista, cinco documentários também foram bem cotados. São eles:

O Abraço Corporativo, de Ricardo Kauffman – Brasil
Tom Zé - Astronauta Libertado”, de Ígo Iglesias Gonzales – Espanha
O Inferno de Clouzot, de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea – França
Kimjogilia, de N. C. Hiekin – EUA/ Coréia do Sul/ França
Almas Alemã – A vida na colônia Dignidad, de Martin Farkas e Matthias Zuber – Alemanha

O resultado que elege os vencedores sai no último dia da Mostra, 5 de novembro.