Estranhos no ninho

Neonazismo e homossexualidade se entrelaçam no longa dinamarquês

NATALIA HORITA
O FINO DA MOSTRA

O primeiro longa do diretor dinamarquês Nicolo Donato, Irmandade, tem tudo para passar despercebido pela 34º Mostra Internacional de São Paulo… infelizmente.

Sem recorrer a clichês puídos ou análises desgastadas, o filme consegue abordar dois temas espinhosos sem apelar para o sensacionalismo ou melodrama. Após ser demitido do exército, Lars (Thure Lindhardt) passa a integrar um grupo neonazista liderado por Fatty. Apesar de relutar no começo, o ex-militar começa a compactuar com as ideias propagadas pelo grupo. Expulso de casa, Lars vai morar com Jimmy (David Dencik), também membro da fraternidade, com quem logo esboça um tratamento que ultrapassa a linha da amizade. A relação homossexual se desenvolve aos poucos, com uma cautela por parte de ambos por ir tão contra suas convicções de extrema direita. Mas, inevitavelmente, cai no conhecimento de todos.

O filme se assemelha a obras como Tolerância Zero, filme de 2001 que apresenta um protagonista judeu e neonazista. A trama focada nas heranças da segunda guerra tinha tudo para se submergir aos clichês que enevoam o assunto. Só que ao abordar somente essa polêmica – a ética nas ações do grupo neonazista nunca são contestadas – o diretor consegue cristalizar um único debate, ao invés de tentar abraçar o mundo e superficializar as discussões. Pelo contrário: somente algumas cenas remetem ao assunto, como as da deliberação que envolve um ataque a um refúgio de gays e imigrantes ou uma briga em um bar em que o grupo se depara com um casal homossexual.

As atuações também merecem destaque. O casal de protagonistas consegue traduzir claramente o conflito interno que enfrentam, sem deixar resíduos de dramatização excessiva ou até mesmo sensacionalismo. O embate psicológico transparece nas feições agoniadas de cada um, que tentam coibir o sentimento que aflora com a convivência – sem êxito.  A única cena sexual do filme não apela para a vulgaridade. É lenta, e consegue produzir efeito sem mostrar explicitamente muita coisa.

Irmandade acerta por ser unifocal. Não se perde nem se deixa seduzir pelas inúmeras polêmicas que podem ser alavancadas a partir de brechas como o grupo neonazista, a homossexualidade, a discriminação e a violência. Ao mirar apenas o problema psicológico que o casal enfrenta e algumas consequências de suas orientações, o longa expõe mais um impasse ao qual os homossexuais estão submetidos. É um filme que provoca.

IRMANDADE
(Brotherskab). Dinamarca. 97 min.
Dir.: Nicolo Donato
01/11/2010 | 18h | Sala Cinemateca BNDES

Uma resposta para Estranhos no ninho

  1. Olá!

    Meu nome é Ida Feldman e estou divulgando o II Festival IESB de Cinema.

    Esse Festival visa valorizar e difundir a produção audiovisual realizada por estudantes universitários do Brasil, além propiciar um espaço de interação, troca e estímulo a trabalhos semi-profissionais do audiovisual. Poderão participar estudantes de todos os cursos das universidades brasileiras e cursos livres de audiovisual, desde que o autor da obra seja o estudante.

    Meu contato com você é para saber se é possível a divulgacão do nosso Festival no seu blog.

    Mais infos estão no blog oficial do Festival: http://festivaliesbdecinema.blogspot.com/p/regulamento.html

    Ficarei grata se puder contar com o seu apoio.

    Ida Feldman
    Divulgadora On Line
    II FESTIVAL IESB DE CINEMA
    idafeld@gmail.com
    11.7838-6765

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