Foram canceladas todas as sessões do filme Lebanon, programadas para os dias 3, 4 e 5 de novembro. O filme foi o grande vencedor do último Festival de Berlim e terá uma única exibição após a cerimônia de encerramento da Mostra.
ENCERRAMENTO 33ª MOSTRA Quinta-feira, 05 de novembro de 2009
21:00hs – Premiação, seguida pelo filme Lebanon, de Samuel Maoz
Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso
A cerimônia é aberta ao público, mas é importante chegar antes se quiser garantir o ingresso.
A promissora comédia é um exemplo de como um filme pode ser cortado até perder o que tem de mais essencial
PEDRO DE BIASI
O FINO DA MOSTRA
Estranhamente para uma comédia com Jim Carrey, I Love You Phillip Morris demorou para encontrar uma distribuidora nos Estados Unidos. É uma situação atípica para um filme atípico. O mais curioso é que os defeitos são ridiculamente comuns. A montagem, ainda em processo na premiere em Sundance, tornou a narrativa apressada.
Baseada em fatos e pessoas reais, a história gira em torno de Steven Russell (Carey). Depois de assumir sua homossexualidade, ele larga a família para viver uma vida “chiquérrima”. O dinheiro vem de uma série de golpes, e não demora para ele ser preso. Na cadeia ele conhece Phillip (Ewan McGregor), e se apaixona perdidamente. Em meio a transferências de prisão e mais falcatruas, a relação encontra inúmeros obstáculos.
A obra é muito bem dirigida. Sem se lixar para o politicamente correto, os diretores também evitam o outro extremo. O meio-termo é encontrado em um tom de deboche constante, que equilibra pequenos tiques estereotipados com momentos moderados. O resultado é um genuíno filme gay, que respeita, desrespeita e se mantém sincero.
É estranho que algo tão peculiar acabe prejudicado pela montagem. O resultado é uma chacina: não há quase nenhuma cena, propriamente dita. Tudo é contado através de resumos e narrações que passam zunindo pelas fases da vida dos personagens. Periodicamente, surge um momento isolado para mudar o rumo da trama, e voltamos a acompanhar sequências de sequências.
O personagem que mais sofre com isso é Morris, que, dada sua importância, praticamente inexiste. Embora ótimo em seus contidos maneirismos e sotaque leve, McGregor é apenas um rostinho bonito para ser idealizado. Steven, dadas as circunstâncias, é mais profundo e cria um divertido questionamento.
É interessante como, apenas com uma excepcional adaptabilidade, o protagonista consegue fingir profissionalismo. Estudo e dedicação não podem competir com esperteza e desenvoltura: a sociedade está atrás dessa fachada, e não do conteúdo do indivíduo. O roteiro acerta em relacionar Steven com essa visão de mundo, tornando-o vítima irrecuperável de um sistema fundado na falsidade e na ilusão do dinheiro.
A sutil falta de seriedade de Carey é perfeitamente adequada a essa proposta. É muito triste que em meio a acertos difíceis o filme acabe trucidado por uma tola e excessiva edição. Os personagens e os acontecimentos deslizam na tela sem firmeza. Isso é perfeitamente compreensível para Steven, mas seu sentimento por Phillip, e o próprio Phillip, se tornam vazios. Amar alguém pode ser superficial, mas não pode ser vazio.
I LOVE YOU PHILLIP MORRIS
(Idem), 2009, Estados Unidos. (102 min.)
Dir.: Glen Ficarra e John Requa