500 Dias com Ela

Que seja infinito enquanto durem os 500 dias

Pautada num amor que foge da fôrma, 500 Dias com ela é uma comédia romântica leve e diferente, que peita o machismo ao apresentar a menina desencanada e o menino apaixonado

NATALIA HORITA
O FINO DA MOSTRA

Summer (Zooey Deschanel) é uma morena bonita de olhos azuis que conquista, logo de cara, o companheiro de escritório Tom (Joseph Gordon-Levitt). Para aguçar ainda mais esse amor recém-nascido, ambos partilham do mesmo gosto musical. Depois de um início de relacionamento peculiar, Tom se vê apaixonado por Summer que, por sua vez, alimenta uma visão bem diferente sobre o amor. Aqui, o aviso do narrador no começo do filme se torna relevante: “essa não é uma história romântica”, pois Summer começa a dar sinais de que não deseja ter nada sério e que não acredita no amor, enquanto Tom cada vez mais se afoga no “namoro”.

A simpática morena poderia ser rotulada como a grande vilã do filme, não fosse sua complexidade intrigante. Mais do que diferente, Summer é também o retrato de tudo aquilo que se opõe aquele amor padrão, imposto por tantos “finais felizes” que proliferam por aí, seja no cinema, na literatura ou em qualquer lugar. O discurso dela de não acreditar em almas gêmeas pode ser um baque, – ainda mais para aqueles mais sentimentais – mas faz sentido. E ela o leva a ferro e fogo, tanto que nutre uma relação com Tom por meses sem conseguir se definir como sua namorada.

E é nesse emaranhado de amores tradicionais e alternativos que a trama se desenrola. A opção do diretor Mark Webb de não sustentar a linearidade é um tempero especial na história. A trajetória do relacionamento dos protagonistas é apresentada de forma quebradiça, com flashes do início intercalados com episódios do término, pós-término e do desfecho, o que confere à obra um artifício de aprisionamento do espectador. Acabamos por esperar, avidamente, o desenlace. É interessante reparar que em momento nenhum é mostrado uma conversa derradeira de fim de relação, mas, mesmo assim, vê-se o interesse de Summer esvaindo-se com o passar dos episódios. Webb, assim, rompe com o comum clímax, que acaba não existindo.

A música é pop, flertando com o antigo e clássico, como Simon and Garfunkel, até baladinhas nouvelle-vague, na voz da estonteante Carla Bruni. Mas The Smiths é que ganha posição especial no filme, pois embala o começo do relacionamento de Tom e Summer.

A direção oscila entre certeira e imatura. Prova disso é a cantoria de Tom após ter ficado com Summer pela primeira vez. Os poucos segundos de canto são um grande deslize, que fazem com que o filme se assemelhe High School Musical. Em compensação, idéias originais do diretor são consideráveis, como a divisão da tela em duas, apresentando, simultaneamente, a expectativa de Tom e o que realmente aconteceu em determinada situação.

500 dias com ela é um filme aprazível e divertido, que não entrou no circuito comercial à toa. Não vale só o ingresso, mas também um pensamento aprofundado na mensagem que passa.

500 DIAS COM ELA
((500) Days of Summer), 2009, Estados Unidos. (95 min.)
Dir.: Marc Webb

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Gravatar
WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s