Arquivo do mês: novembro 2009

A Fita Branca

O silêncio de Haneke

Faltam palavras para A Fita Branca. Não é por choque ou confusão, e sim pelo desdém do diretor

PEDRO DE BIASI
O FINO DA MOSTRA

O vídeo acima mostra como o público reagiu à última sessão de A Fita Branca na Mostra. Não foi um silêncio absoluto, mas não teve quase nada do típico burburinho pós-filme. As pessoas foram silenciadas por Michael Haneke. Seria por choque ou por confusão? Talvez por ambos. O diretor tem o costume de impactar com a violência sutil de suas tramas e deixar mistérios abertos. Seu novo trabalho, no entanto, tem algo mais.

Esse algo tem a ver com a narração em off . Esse recurso é usado para distanciar o espectador. Tudo o que o Professor narra tem a função de resumir elementos de conexão entre as cenas e explicar os mais puros fatos. Muitas vezes, ele joga um grande volume de informações, quase desviando a atenção da imagem. Isso é no mínimo estranho, já que o olhar é tão essencial em sua obra – especialmente em Caché.

Neste, no entanto, há um processo parecido com o visto no filme de 2009. As fitas não filmavam nada, e quem as gravou não apresentava nenhuma ameaça direta. Só o fato de alguém observar já era opressor O dano (o conflito) é causado pelo simples processo de observar, gravar e mostrar, como se pessoas culpadas sempre se sentissem encurraladas de antemão.

A Fita Branca
se revela ainda mais extremo, pois não pressupõe essa culpa. Despido da metalinguagem com o espectador, Haneke cria personagens que agem como se não estivessem sendo assistidos. O silêncio do diretor é acachapante. Ele se mantém afastado desde o começo, ao apresentar verborragicamente a parteira e mostrá-la num perfil unidimensional, desprezível.

Ao apresentar os horrores que vão ocorrendo, o diretor não faz um julgamento sequer, como já havia feito antes, inclusive em Violência Gratuita. Não há diálogo intencional com o público, pois o que se sente é a omissão do cineasta. Não há mistério para os motivos das maldades, pois eles são visíveis desde o início. Não há impacto causado por dúvidas ou revelações, pois as brutalidades são mostradas calmamente.

Com todo um mundo ficcional em mãos, ele era capaz de fazer o comentário que quisesse. Antigamente, ele fustigaria a reação no espectador, usando as tramas abertas e as revelações ambíguas como pavio para análise. Aqui, depois de já ter mostrado o poder destruidor da juventude e da infância em outros filmes, ele se afasta. Não há revolta induzida: há apenas um estudo cerebral sobre a mentalidade pré-nazista, que é tão orgânica quanto parece.

Esse desdém pelos atos humanos chega a picos inéditos, mesmo para alguém que nunca estimou nossa espécie. O olho com que o diretor observa é frio, quase teórico. Ao escrever um roteiro que estuda as origens do nazismo (o peso ditatorial da religião, o protecionismo a atos violentos, a sociedade de controle) e filmá-lo em preto e branco, ele está mostrando as nuances cinzentas que descambam para o que há de mais negro na alma humana. Não lhe importa que, desde as raízes, aquilo “fosse reprovável”.

É assustador que alguém consiga chegar ao ponto de confeccionar personagens tão cadavéricos. O interesse de Haneke é analisar tudo da forma mais branda possível – até a morte. O tom nunca se excede, nem na sutileza da violência que filmou em Violência Gratuita nem na brutalidade escancarada que mostrou em Caché. Portanto, o que se sucede na aldeia não é justificável nem condenável: é apenas uma teoria que retrocede um fato (o nazismo) que faz parte da História. Em A Fita Branca, ele sublima sua misantropia, desarmando e calando até o espectador que pretendia ser chocado.

A FITA BRANCA
(Das weiße Band – Eine deutsche Kindergeschichte), 2009, Alemanha/Áustria/França/Itália. (144 min.)
Dir.: Michael Haneke

Você não vai sentir minha falta

As várias faces de uma face

Embora independente, esse filme norte-americano ainda duvida da capacidade do espectador

PEDRO DE BIASI
O FINO DA MOSTRA

Metalinguagem é uma das ferramentas mais espinhosas para se trabalhar num roteiro. Usada com habilidade, pode se tornar uma fonte rica de interpretações. Do contrário, pode acabar como em Você Não Vai Sentir Minha Falta. Insinuado de forma relativamente elegante, o jogo entre ator e “pessoa real” aparece de forma mais clara no final, quando a audição para um filme é mostrada.

Uma série de questionamentos cênicos é jogada nesse momento, mas não faz diferença alguma. Ou melhor, faz: super-expõe todo o processo já mostrado até então. As câmeras estão sempre próximas ao rosto dos atores, como se fossem seu interlocutor, ou filmam o que os personagens olham. Algumas vezes, celulares e câmeras digitais são utilizados, e não resta dúvida que o diretor pretendia alcançar o realismo.

A trama alterna cenas no hospital psiquiátrico em que Shelly (Stella Schnabel, co-autora do roteiro) foi internada e sua vida fora, regada a drogas, homens e desentendimentos. A interpretação de Schnabel mostra um tipo de letargia que não se extrai de atores, bons ou ruins. Seu compromisso com a verdade é tamanho que sua veracidade se torna palpável, totalmente perceptível. Fica bem claro que aquilo não é uma atuação, propriamente dita.

Além disso, existe todo um subtexto sobre fachadas e vida real. A protagonista passa alguns minutos em uma cena explicando que não se finge nada que não é. Para os mais desatentos, há passagens em que Shelly participa de audiências para uma peça, um filme e um vídeo, e sua expressividade não se altera ao “atuar”.

Há um fragmento particularmente desnecessário em que a atriz/personagem entra no saguão de um hotel e é mandada para fora. A câmera escondida grita que aquilo é uma aplicação do roteiro à vida real, mas exagera no didatismo. Como se não bastasse, a protagonista ressalta essa fixação pela identidade e pela possibilidade de ser outra pessoa quando narra sua visão das drogas.

A narração em off é um dos quatro elementos usados para dizer a mesma coisa: ainda há a metalinguagem, a estética visual e a “entrevista” com o doutor do hospital psiquiátrico. Se a intenção era embaçar a linha entre o real e o encenado, a diretora e roteirista Russo-Young não precisava esmiuçar a já exposta personalidade de Schnabel no “clímax” – a audição para o filme.

De fato, não sentiremos sua falta, Shelly. Não porque sua identidade real foi trocada pelo seu eu cinematográfico, mas sim porque já tivemos uma overdose de ambos.

VOCÊ NÃO VAI SENTIR MINHA FALTA
(You Won’t Miss Me), 2009, EUA. (81 min.)
Dir.: Ry Russo-Young

Alteração na repescagem + Programação de quinta-feira (12/11)

08/11/2009 – Domingo


CINEMATECA – SALA PETROBRAS


Sessão 1479 – 21:00

SAI O FILME

EXPRESSÃO JOVEM (TEENAGE RESPONSE), de Eleni Ampelakiotou (160′). ALEMANHA. Falado em alemão. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: LIVRE.

ENTRA O FILME

O CERCO – A DEMOCRACIA NAS MALHAS DO NEOLIBERALISMO (L´ENCERCLEMENT – LA DÉMOCRATIE DANS LES RETS DU NÉOLIBÉRALISME), de Richard Brouillette (160′). CANADÁ. Falado em francês, inglês. Legendas em espanhol. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.

 

12/11/2009 – Quinta

CINE BOMBRIL 1

Sessão 1517 – 14:00
CHUTES (KICKS), de Lindy Heymann (82′). REINO UNIDO. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.

Sessão 1518 – 15:50
O PASSO SUSPENSO DA CEGONHA (TO METEORO VIMA TOU PELARGOU), de Theo Angelopoulos (140′). GRÉCIA, FRANÇA, ITÁLIA, SUÍÇA. Falado em francês, inglês, grego. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.

Sessão 1519 – 18:30
O APICULTOR (O MELISSOKOMOS), de Theo Angelopoulos (120′). GRÉCIA, FRANÇA. Falado em grego, francês. Legendas em francês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.

Sessão 1520 – 20:50
PAISAGEM NA NEBLINA (TOPIO STIN OMICHLI), de Theo Angelopoulos (180′). GRÉCIA, FRANÇA, ITÁLIA. Falado em grego. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.

Seguindo em Frente

A vida após a morte

O diretor de Ninguém Pode Saber mostra o demônio familiar com esperança, mas sem conciliação definitiva

PEDRO DE BIASI
O FINO DA MOSTRA

A história acompanha dois dias de uma reunião familiar na casa do patriarca (Yoshio Harada) e de sua esposa (Kirin Kiki). A visita ocorre para lembrar a morte de Junpei, o primogênito. Ryota (Hoshiro Abe), agora o filho mais velho, enfrenta o desdém do pai, que não aceita que ele não tenha seguido a profissão de médico.

No começo, tudo parece em ordem. O alimento, metáfora constante no filme, traz desentendimentos saudáveis. Mesmo assim, o encontro está fadado ao caos. Em vez de encarar essa inevitabilidade com pesar, a família Yokoyama prefere aproveitar o tempo junto comendo muito e se divertindo. Eles sabem que precisam falar, gritar e rir constantemente para não se lembrarem do falecido.

A matriarca parece incrivelmente evoluída perante o marido. Ela consegue participar e até mesmo comentar as mágoas de perder um filho – versatilidade que Kiki alcança com louvores. A tensão também se dá por causa de Ryota. Além de ter negado os planos do pai, ele se casou com uma viúva, que é obviamente mal vista.

É sutil a abordagem desses pequenos ressentimentos. Em meio conversas despojadas, surgem frases (“Crianças não crescem necessariamente como queremos”) que têm significados fortes para o homem da casa. Ele responde sem a mesma delicadeza, como se sentisse todas essas “farpas” e as devolvesse em represália.

Apesar dessa disputa de gerações, constantemente abordada pelo Cinema japonês, o tema do parente morto é crucial. Em certa cena, a esposa de Ryota (a excelente Yui Natsukawa) ouve da sogra que seria bom ela não engravidar, pelo bem do filho que tivera no primeiro casamento. Fica uma dúvida: ela estava sendo desagradável ou apenas comunicando as dores de ser mãe? E como a nora entendeu? Seu eterno e cordial sorriso é triste nesse momento, mas seria por raiva ou por pena?

Kore-eda, no entanto, não quer apenas contar uma história e criar personagens. Existe todo um pensamento estético. Na maioria dos planos, a câmera se mantém parada – sempre que a perspectiva é mudada, há um corte para outra tomada imóvel. Essa regra se estende até para as cenas de caminhada. Por mais que andem, os personagens não saem do lugar. Num momento, a avó tenta pegar uma borboleta que entrou na casa, crendo que é seu filho morto. A câmera se move. Mesmo assim, é uma euforia breve e limitada: ela anda em círculos, buscando o que já se perdeu.

Os pais do primogênito acabam prendendo toda a família nesse redemoinho. Mesmo assim, a segunda geração consegue deixar as tristezas de lado assim que vai embora, e a terceira, acompanhada de uma vívida trilha sonora, está mais distante ainda. É só dentro deles (mas à distância) que os antepassados podem viver em paz.

SEGUINDO EM FRENTE
(Aruitemo aruitemo), 2008, Japão. (114 min.)
Dir.: Hirokazu Kore-eda

| Disponível em streaming pelo site: The Auteurs |

The Auteurs

A Mostra em movimento

Plataforma de filmes online se une ao festival e disponibiliza programação online

PEDRO DE BIASI
O FINO DA MOSTRA

O site The Auteurs disponibilizou uma série de filmes da Mostra em streaming. Essa parceria pioneira ajudou a criar o primeiro festival de Cinema internacional online. O domínio é organizado pela Celluloid Dreams, uma produtora de cinema independente, pelo Criterion Collection, uma celebrada distribuidora de filmes de arte, e pela produtora Costa Films.

Com a enorme concorrência nessa 33ª edição da Mostra, a iniciativa é de grande ajuda para os cinéfilos. Houve muita disputa, por exemplo, para Seguindo em Frente, que ao meio-dia e meia do sábado já teve os ingressos esgotados no Cine Bombril. Esse é um dos títulos que podem ser assistidos na rede, após o cadastro gratuito no site.

Outros filmes disponíveis:

TUDO QUE NOS CERCA (GURURI NO KOTO), de Hashiguchi Ryosuke

A VIDA EM BLOCO (BLOQUES), de Carlos Caridad e Alfredo Hueck

KALANDIA – HISTÓRIA DE UMA FRONTEIRA (KALANDIA – A CHECKPOINT STORY), de Neta Efrony

PAPAI FOI CAÇAR PTÁRMIGA (DADDY GOES PTARMIGAN HUNTING), de Robert Morin

VENCER (VINCERE), de Marco Bellochio

O CERCO(FENCE), de Toshi Fujiwara

REIDY, A CONSTRUÇÃO DA UTOPIA, de Ana Maria Magalhães

SIRI-ARA, de Rosemberg Cariry

AMOR EM TRÂNSITO (AMOR EN TRÁNSITO), de Lucas Blanco

MOMENTOS DE JERUSALÉM (REGA YERUSHALAYIM), de Momen Shabaneh, Liviu Babich, Nihad Sabri Markesto, Amber Fares, Avi Goldstein, Yasmine Novak, Radwan Duha, Daniel Gal

HUGO REI E SUA DONZELA (HUGO REY Y SUA DONCELLA), de Franco de Pena

DENTRO DA LEONERA (DENTRO DE LA LEONERA), de Nicolas Benác, Cedric Robion

13 MINUTOS, de Felipe Briso, Gilberto Topczewsky

BR3 (DOCUMENTÁRIO), de Evandro Mocarzel

BR3 (FICÇÃO), de Evandro Mocarzel

À MARGEM DO LIXO, de Evandro Mocarzel

FUTEBOL BRASILEIRO, de Miki Kuretani, Tatiana Vilela

NÓS QUE AINDA ESTAMOS VIVAS (NOI QUE SIAMO ANCORA VIVI), de Daniele Cini

CORTEJANDO CONDI (COURTING CONDI), de Sebastian Doggart

TIKIMENTARY, de Duda Leite

UM LUGAR AO SOL, de Gabriel Mascaro

AQUILES E A TARTARUGA (AKIRESU TO KAME), de Takeshi Kitano

O JOGO DO PAI (DAS VATERSPIEL), de Michael Glawogger

A CANTORA DE TANGO (LA CANTANTE DE TANGO), de Diego Martinez Vignatti

O PEQUENO INDI (PETIT INDI), de Marc Recha

Chuva prejudica encerramento da Mostra

WILSON SAIKI JR.
O FINO DA MOSTRA

A ideia de realizar a cerimônia de encerramento da 33ª Mostra a céu aberto, na Cinemateca, não deu certo. Após um atraso de quase uma hora, quando o público já ensaiava as palmas da impaciência, Marina Person e Serginho Groisman subiram ao palco para anunciar os vencedores. Foi então que uma garoa começou a cair: guarda-chuvas no palco, capas de chuva para o público e algumas pessoas se refugiando com suas cadeiras na parte coberta, tudo isso enquanto ocorriam as entregas dos prêmios. Pouco se ouvia e as pessoas tentavam deduzir quais eram os ganhadores. Após o fim dos anúncios foi exibido o filme Lebanon, também ao ar livre.


COMPETIÇÃO NOVOS DIRETORES – FICÇÃO

Melhor Filme: “Voluntária Sexual” (Coréia do Sul), de Kyeong-Duk Cho

Melhor Diretor: Andreas Arnstedt, por “Os Dispensáveis” (Alemanha)

Melhor Ator: Andrè Hennicke, de “Os Dispensáveis” (Alemanha)

COMPETIÇÃO NOVOS DIRETORES – DOCUMENTÁRIO

Melhor Filme: “O Inferno de Clouzot” (França), de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea

Menção Honrosa: “Abraço Corporativo” (Brasil), de Ricardo Kauffman

PRÊMIO ITAMARATY

Prêmio Especial – Homenagem pelo Conjunto da Obra: Paulo César Saraceni

Melhor Curta-Metragem: “Insone”, de Marília Scharlach e Marina Magalhães

Melhor Documentário em Longa-Metragem: “Dzi Croquettes”, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez

Menção Honrosa para Documentário: “Pixo”, de João Wainer e Roberto T. Oliveira

Melhor Longa-Metragem de Ficção: “Antes Que o Mundo Acabe”, de Ana Luiza Azevedo


PRÊMIOS DO PÚBLICO

Melhor Longa-Metragem Brasileiro: “Carmo”, de Murilo Pasta

Melhor Longa-Metragem Estrangeiro: “Abraços Partidos” (Espanha), de Pedro Almodóvar e “O Último Dançarino de Mao” (Austrália), de Bruce Beresford

Melhor Documentário em Longa-Metragem Brasileiro: “Dzi Croquettes”, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez

Melhor Documentário em Longa-Metragem Estrangeiro: “Tom Zé – Astronauta Libertado” (Espanha), de Ígor Iglesias Gonzáles

Prêmio da Juventude: “Saída à Nado” (Suécia), de Måns Herngren


PRÊMIO DA CRÍTICA

Melhor Longa-Metragem Estrangeiro: “Ninguém Sabe dos Gatos Persas” (Irã), de Bahman Ghobadi

Melhor Longa-Metragem Brasileiro: “O Sol do Meio-Dia”, de Eliane Caffé

PRÊMIO AQUISIÇÃO CANAL BRASIL (Curtas-Metragens)

“O Príncipe Encantado”, de Sérgio Machado e Fátima Toledo

PRÊMIO QUANTA (Prêmio em serviços de iluminação)

Melhor Documentário em Longa-Metragem: “Dzi Croquettes”, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez

Melhor Longa-Metragem de Ficção: “Antes Que o Mundo Acabe”, de Ana Luiza Azevedo

PRÊMIO TELEIMAGE (Prêmio em serviços de finalização)

Melhor Curta-Metragem: “Insone”, de Marília Scharlach e Marina Magalhães

Melhor Documentário em Longa-Metragem: “Dzi Croquettes”, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez

Melhor Longa-Metragem de Ficção: “Antes Que o Mundo Acabe”, de Ana Luiza Azevedo

Divulgada programação da repescagem

Clique abaixo para conferir a programação:

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