A arte de Tom Zé
Documentário trata do processo criativo de um dos músicos brasileiros mais inventivos
ADRIANO GARRETT
O FINO DA MOSTRA
O documentário musical está na moda no Brasil. Artistas como Vinícius de Moraes, Wilson Simonal, Herbert Vianna, Arnaldo Batista, Caetano Veloso e tantos outros já foram alvo de filmes. Mas nenhum destes conseguiu ser protagonista de dois filmes. O único que realizou tal feito, e num curto espaço de tempo, foi Tom Zé, que, após ter sido personagem, em 2007, de Fabricando Tom Zé, agora é tema de novo documentário, Tom Zé Astronauta Libertado.
O filme, que faz parte da programação da Mostra, teve sua primeira exibição no último sábado, em uma sessão no Cinesesc que contou com a presença do diretor Ígor Iglesias González e do próprio Tom Zé. O foco do filme está na gravação do disco Danç-Êh-Sá e em uma oficina de experimentação musical que o músico ministrou nas Astúrias, Espanha.
O fato de González ser um estrangeiro (ele é espanhol) encantado pela música do artista não é novidade. Após integrar o movimento tropicalista, juntamente com Caetano Veloso e Gilberto Gil, Tom Zé viveu um período de ostracismo musical. O esquecimento do grande público só foi revertido quando o músico norte-americano David Byrne descobriu o seu disco Estudando o Samba e, fascinado pela música do baiano, resolveu lançá-lo no mercado internacional.
Este e outros fatos retrospectivos da carreira do músico são contados por meio de imagens de arquivo, que mostram a trajetória do cantor. Porém, o maior atrativo do filme é, na verdade, a atualidade de Tom Zé. A sua inventividade como artista segue inabalável, e o que se vê na telona é um bom estudo sobre o processo de criação artística.
O maior exemplo disso é a sua participação na oficina de experimentação espanhola, onde fala que “é burro o professor que não aprende com seus alunos”, frase emblemática para revelar um artista que nunca se fecha a novidades musicais e que se renova a cada dia.
No filme há também, é claro, um vasto repertório musical do cantor. Mas, por mais qualidade que possa ter a sua música, fica evidente em Tom Zé Astronauta Libertado que o artista por trás dela é ainda mais interessante. Por isso, caso o artista de 73 anos continue reinventando sua música a cada dia, não será nenhuma surpresa que novos documentários surjam sobre ele.
TOM ZÉ ASTRONAUTA LIBERTADO
(Idem), 2008, Espanha. (90 min.)
Dir.: Ígor Inglesias González
30/10 (Sex) | 22:10 – Sessão 831 | Espaço Unibanco Pompéia 10
31/10 (Sáb) | 12:00 – Sessão 891 | Cine Bombril 1
