Arquivo do mês: outubro 2009

Tom Zé Astronauta Libertado

A arte de Tom Zé

Documentário trata do processo criativo de um dos músicos brasileiros mais inventivos

ADRIANO GARRETT
O FINO DA MOSTRA

O documentário musical está na moda no Brasil. Artistas como Vinícius de Moraes, Wilson Simonal, Herbert Vianna, Arnaldo Batista, Caetano Veloso e tantos outros já foram alvo de filmes. Mas nenhum destes conseguiu ser protagonista de dois filmes. O único que realizou tal feito, e num curto espaço de tempo, foi Tom Zé, que, após ter sido personagem, em 2007, de Fabricando Tom Zé, agora é tema de novo documentário, Tom Zé Astronauta Libertado.

O filme, que faz parte da programação da Mostra, teve sua primeira exibição no último sábado, em uma sessão no Cinesesc que contou com a presença do diretor Ígor Iglesias González e do próprio Tom Zé. O foco do filme está na gravação do disco Danç-Êh-Sá e em uma oficina de experimentação musical que o músico ministrou nas Astúrias, Espanha.

O fato de González ser um estrangeiro (ele é espanhol) encantado pela música do artista não é novidade. Após integrar o movimento tropicalista, juntamente com Caetano Veloso e Gilberto Gil, Tom Zé viveu um período de ostracismo musical. O esquecimento do grande público só foi revertido quando o músico norte-americano David Byrne descobriu o seu disco Estudando o Samba e, fascinado pela música do baiano, resolveu lançá-lo no mercado internacional.

Este e outros fatos retrospectivos da carreira do músico são contados por meio de imagens de arquivo, que mostram a trajetória do cantor. Porém, o maior atrativo do filme é, na verdade, a atualidade de Tom Zé. A sua inventividade como artista segue inabalável, e o que se vê na telona é um bom estudo sobre o processo de criação artística.

O maior exemplo disso é a sua participação na oficina de experimentação espanhola, onde fala que “é burro o professor que não aprende com seus alunos”, frase emblemática para revelar um artista que nunca se fecha a novidades musicais e que se renova a cada dia.

No filme há também, é claro, um vasto repertório musical do cantor. Mas, por mais qualidade que possa ter a sua música, fica evidente em Tom Zé Astronauta Libertado que o artista por trás dela é ainda mais interessante. Por isso, caso o artista de 73 anos continue reinventando sua música a cada dia, não será nenhuma surpresa que novos documentários surjam sobre ele.

TOM ZÉ ASTRONAUTA LIBERTADO
(Idem), 2008, Espanha. (90 min.)
Dir.: Ígor Inglesias González

30/10 (Sex) | 22:10 – Sessão 831 | Espaço Unibanco Pompéia 10
31/10 (Sáb) | 12:00 – Sessão 891 | Cine Bombril 1

O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus

Tom de homenagem prejudica Parnassus

CHRISTIAN COSTA
O FINO DA MOSTRA

Terry Gilliam é um diretor brilhante. Seu currículo conta com algumas das melhores comédias do Monty Python, duas das melhores ficções-científicas já realizadas (Brazil e 12 Macacos) e outros longas que adquiriram status de cult, como Medo e Delírio. No entanto, o que se vê em O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus é majoritariamente um réquiem de luxo para Heath Ledger, talentoso ator que faleceu durante as filmagens e ficou imortalizado pela sua atuação como Coringa, em Batman: o cavaleiro das trevas, lançado já postumamente.

O filme mostra o duelo milenar entre Parnassus (Christopher Plummer) e o Diabo (Tom Waits), chegando a um momento crítico: a filha do primeiro deve ser entregue ao cramunhão, em função de uma barganha feita num passado remoto. Em meio a isso, surge uma misteriosa figura com amnésia (Ledger) que, aos poucos, se mostra disposta a ajudar o doutor a virar o jogo e não perder sua filha.

Uma premissa tentadora, um elenco fabuloso e efeitos especiais estonteantes. Com todos esses recursos em mão, por que Gilliam não conseguiu tornar “Parnassus” em mais um de seus clássicos?

Antes de tudo, é triste ver a transição artística que Gilliam fez, hoje lembrando muito mais um genérico burtoniano do que o genial produtor de cenários distópicos, que forneceram inspiração para a próxima geração de diretores, mais nitidamente Jean Pierre Jeunet, durante os anos 90. Nem mesmo o timing de certas cenas parece certo, sobretudo as que contêm Ledger.

Nesse aspecto, cabe a hipótese de não ter havido tempo para fazer os takes definitivos, mas isso não justifica que certos momentos pareçam mais laboratórios de atuação do que cenas sérias. Gilliam já execrou publicamente a teoria de que a imersão no personagem Coringa teria sido a principal razão da morte do jovem ator, afirmando que existia um bom clima durante as filmagens. Ainda assim, existe um mau desempenho inicial que pode ter relação com a ingestão abusiva de remédios que, posteriormente, o levou à morte. Em tempo, deve-se admitir que, com o passar da história, parece que o ator vai ficando mais à vontade, conseguindo desenvolver bem as características de seu personagem, com destaque para o notável sotaque britânico.

Méritos à parte, as atuações que ficarão marcadas na memória são as dos atores Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, que substituíram o ator nas cenas que ele não teve tempo de encenar (em sua maioria, partes com computação gráfica). Todos fazem atuações marcantes e nitidamente preocupadas em serem fiéis à visão que Ledger tinha do personagem.

Saindo das questões de elenco, a trilha sonora escorrega ao não respeitar bons ganchos para silêncio e complementar de forma burocrática as demais passagens. Os momentos em CG, em que pessoas passam pelo espelho mágico de Parnassus, por mais dalinianos e grandiosos que sejam, não aparecem de forma homogênea com o resto da película, resultando também numa desproporção incômoda.

Enfim, por mais que a produção tenha sido cancelada e depois retomada por Gilliam, ainda permanece a sensação de que ele está incompleto. Desde a poética aparição inicial de Ledger, em que está morto e revive, até os créditos finais que indicam que foi realizada por “Ledger e amigos”, tudo parece comprometer a independência da obra, mostrando-a refém de seus fatos exteriores – e é isso que perturba. Ele insiste, intencionalmente ou não, em ser uma constante homenagem em vez de ser o grande filme que poderia ser. Trata-se da despedida mais lírica e emocionante que o Cinema poderia dar a Ledger, mas ainda assim, é uma pena que isso tenha impedido que a história fosse contada impecavelmente, como é do feitio de Terry Gilliam contar.

O MUNDO IMAGINÁRIO DE DR. PARNASSUS
(The Imaginarium of Dr. Parnassus), 2009, Reino Unido. (125 min.)
Dir.: Terry Gilliam

31/10 (Sáb) | 23:30 – Sessão 924 | HSBC Belas Artes – Sala 2
01/11 (Dom) | 19:00 – Sessão 1054 | Cinemark Cidade Jardim
03/10 (Ter) | 21:30 – Sessão 1161 | Unibanco Arteplex 1

O Fantástico Sr. Raposo

Wes Anderson acerta em animação

Utilizando a técnica de stop-motion diretor cria não apenas para as crianças

CHRISTIAN COSTA
O FINO DA MOSTRA

Grande parte dos bons diretores em atividade já cedeu aos encantos dos efeitos digitais e os usou para incrementar seus filmes. No entanto, é particularmente admirável quando vemos alguém que busca técnicas analógicas de animação, que às vezes resultam em algo mais orgânico e cativante. É o caso de O Fantástico Sr. Raposo, de Wes Anderson, feito inteiramente em stop-motion – técnica clássica de animação, típica em filmes feitos com “massinha”.

O filme abre com o que deveria ser o último furto do Sr. Raposo, astuto e hábil ladrão de galinhas. Ao ser pego com sua parceira durante uma de suas investidas, ela revela que está grávida e ele promete mudar de vida. Doze anos depois, ele é um entediado colunista de jornal que resolve mudar para o meio de três famosas fazendas e realizar seus últimos roubos, mas as coisas não correm como o planejado.

Desde a primeira cena, vemos que as escolhas musicais de Anderson permanecem de extremo bom gosto, sonorizando uma perseguição com Heroes and Villains, dos Beach Boys, passando depois por Street Fighting Man, dos Rolling Stones, entre outros momentos oportunos de folk e ragtime.

O aspecto em que o diretor mais acertou foi ao conseguir manter os estereótipos clássicos de seu filme em uma história não-autoral (os créditos são de Roald Dahl, criador de A Fantástica Fábrica de Chocolate), dando um toque de excentricidade para cada personagem como é comum em suas criações. Para melhorar, as vozes principais foram interpretadas soberbamente por George Clooney e Meryl Streep.

Não há dúvida de que as crianças podem ser atraídas pela graciosidade da história e pelas personagens de grande carisma, mas o recorte de Anderson não permite que o filme seja classificado como “infantil”. Ele está facilmente no mesmo nível de Viagem a Darjeeling (31ª Mostra) e evidencia que o jovem diretor está no topo de seu jogo.

O FANTÁSTICO SR. RAPOSO
(Fantastic Mr. Fox), 2009, EUA/Reino Unido. (87 min.)
Dir.: Wes Anderson

30/10 (Sex) | 19:30 – Sessão 792 | Espaço Unibanco 3

O Ponto Vermelho

Mundo de Desconhecidos

Filme japonês retrata uma garota em busca de respostas

VICTOR FERREIRA
O FINO DA MOSTRA

Aki Onodera (Yuki Inomata) é uma estudante japonesa que deveria estar planejado seu futuro, mas a morte dos pais e do irmão, causada por um acidente na Alemanha enquanto ela ainda era pequena, começa a atormentá-la. Disposta a encontrar respostas ou pelo menos alguma paz de espírito, Aki viaja à Europa com uma única pista relevante: um mapa com um ponto vermelho marcando a área da tragédia.

Em terras alemãs é hospedada pela na casa dos Weber, que moram perto da região indicada no mapa, e logo forma laços com os membros da família, em especial com o filho, Elias (Orlando Klaus). O jovem é um rebelde e acaba sendo preso por praticar manobras perigosas com sua motocicleta, além de brigar constantemente com o pai, Johannes (Hans Kremer). Elias passa a ter um caso amoroso com Aki, embora a língua seja uma barreira ao relacionamento.

O Ponto Vermelho prefere gestos às falas e diálogos. Em seu primeiro longa roteirizado e dirigido, a japonesa Marie Miyayama, com formação acadêmica na Alemanha, filma com simplicidade e delicadeza notáveis, principalmente nas tomadas e na construção dos personagens. Em relação à aparente fragilidade da protagonista Aki, é impossível não sentir o impacto entre a cultura da garota e do novo mundo descoberto – ela está sozinha, tem um conhecimento rudimentar do alemão e passa a envolver-se com pessoas desconhecidas.

Também vemos o conflito entre os homens da família alemã. O pai, Johannes, procura retomar o controle sobre o filho, cada vez mais distante dos outros parentes, o jovem chega a ameaçá-lo de morte após receber um tapa. A atração por Aki mostra um lado mais sensível de Elias, procurando ajudá-la sempre que possível na busca do memorial de seus pais.

Mesmo que, por vezes, o silêncio torne a experiência cansativa, e em alguns momentos o roteiro seja previsível – embora a ideia talvez não seja a de descobrir o fato, mas como ele afeta a visão dos personagens –, O Ponto Vermelho é uma boa sugestão para aqueles que gostam de histórias que envolvam diferente culturas, e o choque entre elas.

O PONTO VERMELHO
(Der Rote Punkt), 2008, Alemanha. (82 min.)
Dir.: Marie Miyayama

02/11 (Seg) | 21:00 – Sessão 1139 | Cine Tam – Sala 3

À Procura de Elly

O desespero ao enfrentar o inesperado

IVAN SARMENTO
O FINO DA MOSTRA

À Procura de Elly, de Asghar Farhadi, é tensão pura e se vale de vários artifícios para nos prender na cadeira durante os 119 minutos de duração. O filme é o indicado do Irã para a disputa do Oscar de melhor filme estrangeiro e Farhadi ganhou o Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim desse ano.

Ahmad, que acaba de se divorciar, volta ao Irã depois de anos vivendo na Alemanha. Ele e vários amigos, casados e com filhos, combinam de passar três dias nas margens do mar Cáspio. Sua amiga Sepideh, que organizou a viagem, convida também a professora de sua filha, sem avisar o grupo. Logo um clima de alegria se instala e todos convivem bem. Sepideh e os outros tentam unir Elly a Ahmad, o solteiro da turma. Ela, entretanto, aparenta não estar à vontade e planeja ir embora no dia seguinte.

Após os protestos de Sepideh para que passe mais alguns dias, Elly decide permanecer no lugar. No entanto, um acidente acontece e ela desaparece. É o ponto de partida para que tudo mude: a harmonia entre as pessoas dá lugar aos conflitos na tentativa de encontrar a professora e descobrir o motivo do desaparecimento. Aos poucos, alguns porquês vão aparecendo e, juntamente com os personagens, vamos descobrindo mais sobre a própria Elly.

Traduzir o desespero na busca por essas respostas é o que norteia a mise en scène da produção. Assim, a câmera de Farhadi é inquieta, nervosa e muito menos contemplativa do que a quem tem sido comum no cinema iraniano. Os diálogos, geralmente ásperos, ganham respaldo na habilidade do elenco, afiadíssimo. A força da unidade dramática e o naturalismo da filmagem facilitam a nossa inserção no drama, até porque o roteiro não traz digressões, cortes temporais ou outros elementos que nos distanciem do que está acontecendo. É como se acompanhássemos tudo bem de perto, sentindo e sofrendo junto com os personagens. Ainda assim, o diretor aproveita os momentos certos para colocar doses de lirismo, principalmente nas cenas de praia, quando a paisagem ganha força e ocasiona belas imagens.

Enfim, é um filme sobre o quanto a presença de algo aparentemente inexplicável pode alterar pessoas e relações humanas. A procura pelo entendimento e resolução de situações limite mostra-se, mais uma vez, terreno fértil para o cinema. O filme de Farhadi faz com que nos deparemos com dois sentimentos humanos vividos em momentos diferentes do longa: o entusiasmo inicial da viagem e a angústia da incerteza após o desaparecimento da professora. Isso, unido a uma malha de personagens fortes e um desenvolvimento articulado das ações, faz de À Procura de Elly um grande filme.

À PROCURA DE ELLY
(Darbareye Elly), 2009, Irã, (119 min.)
Dir.: Asghar Farhadi

26/10 (Seg) | 16:30 – Sessão 390 | Cinesesc

35 Doses de Rum

No início havia o silêncio

As palavras podem ferir, mas tiram os personagens da inércia emocional

PEDRO DE BIASI
O FINO DA MOSTRA

O enredo de 35 Doses de Rum é bem vago. Leonel (Alex Descas) vive com sua filha Joséphine (Mati Diop), estudante de vinte e poucos anos. No mesmo prédio, moram a balzaquiana Gabrielle (Nicole Dogué) e Noé (Grégoire Colin), que têm vínculos quase familiares com eles. A aposentadoria do colega de Leonel, René (Julieth Mars Toussaint), é uma das forças motrizes da história, assim como a aproximação entre Noé e Joséphine. Além disso, o departamento de antropologia da faculdade da jovem está sob a ameaça de ser fechado, e trará mais conflitos.

O filme de Claire Denis é todo calcado em silêncios. Cada um dos raros diálogos serve para abalar emoções que vivem em paz na quietude. É nos abraços, nos beijos, nos gestos e nas expressões que os personagens estabelecem suas relações. As palavras são emoções que eles não estão prontos para aceitar intimamente, e precisam verbalizar. Elas são cuspidas com dificuldade e doem, mas são necessárias.

Existe uma certa estagnação ao longo da narrativa. Demonstrações de afeto como abraços e beijos são reproduzidas exaustivamente. A diretora Claire Denis mantém a decupagem idêntica, para reforçar essa repetição. Em certos momentos, frases breves também são usadas para afagar. Essas cenas de carícia verbal, no entanto, começam e terminam em silêncio e mantêm contato corporal constante.

René embarca na maior fala do filme: um monólogo de tristeza e angústia profundas. É como se o mero ato de falar já trouxesse infelicidade. O mundo sentimental criado para a obra é plano e se limita a uma mesmice afetiva. Sempre que alguém, especialmente Gabrielle, tenta falar mais, encontra resistência. De fato, os diálogos variam do funcional ao banal. Quando saem dessa linha estável, continuam curtos, mas adicionam uma camada de preocupação que acompanha o roteiro até o fim.

O título é uma referência ao secreto. Como Leonel faz questão de mostrar, as 35 doses de rum talvez sejam uma história, mesmo. Porém, mais do que isso, elas são um estado de espírito. É disso que a obra é feita. Há um passado por trás daqueles personagens e suas ligações emocionais, mas revelações não têm importância. A pura emoção do momento, e o modo como ela é transformada por eventos externos, revela muito mais.

Denis e o co-roteirista Jean-Pol Fargeau não se reportam a fatos, acontecimentos e picos dramáticos. Logo, não há espaço ou tempo para se investigar eventos. Sempre que um elemento novo surge, a diretora dá enfoque ao sentimento que ele causa. Só perto do final há uma exposição, que destoa da história sentimental velada até então. Mesmo assim, a diretora e seu impecável elenco conseguem enquadrar o que há de mais abstrato na vida humana com muita sobriedade.

35 DOSES DE RUM
(35 Rhums), 2008, França/Alemanha, (100 min.)
Dir.: Claire Denis

26/10 (Seg) | 14:30 – Sessão 365 | Cinemateca – Sala Petrobras
29/10 (Qui) | 19:00 – Sessão 705 | Cine TAM

Maradona

As várias faces de um gênio

Kusturica filma o amigo Maradona sem esconder a admiração pelo ídolo

WILSON SAIKI JR.
O FINO DA MOSTRA

O documentário Maradona, no original Maradona by Kusturica, é imperdível, principalmente para os amantes do futebol. A genialidade do craque argentino é confrontada com os problemas pelo qual o jogador passou, e conhecemos ainda seu discurso político, afinado com as tendências socialistas-revolucionárias da América Latina: Maradona é um grande amigo de Fidel Castro e aparece ao lado de Evo Morales e Hugo Chávez em palanques políticos.

Emir Kusturica, duas vezes premiado com a Palma de Ouro em Cannes, não tenta esconder a amizade e admiração pelo jogador e realiza uma obra pessoal, o que é ainda melhor. Merecem destaque os dois lances que ocorreram durante a Copa do Mundo de 1986 – vencida pela Argentina –, o gol de mão e a impressionante jogada em que driblou dez adversários  e marcou para sua seleção, ambos contra a Inglaterra.

Esse é o ponto em que Maradona declara ter sido uma vitória política, pois seu país havia sido atacado pela forças inglesas na Guerra das Malvinas (1982). O diretor aproveita a imagem do gol para brincar com personagens políticos, como o Rei Charles, a primeira-ministra Margareth Tatcher e até Tony Blair.

Ainda são exibidas outras sequências engraçadas, principalmente as que remetem à Igreja Maradoniana, adaptada ao deus Maradona. Os batizados e casamentos ocorrem em um campo de futebol e o objeto a ser adorado é uma bola com uma coroa de espinhos, além das orações, alteradas para enaltecer o argentino.

As gravações do documentário ocorreram entre 2005 e o início 2007, momento em que o jogador estava bem, mas sofreria outra recaída logo em seguida. As causas principais dos problemas durante a carreira de Maradona foram o vício em cocaína e o abuso do álcool. Duas vezes punido em exames antidoping, o argentino declara, arrependido, que caso não tivesse se envolvido com as drogas teria sido ainda melhor. Difícil imaginar como isso seria possível.

MARADONA
(Maradona by Kusturica), 2008, Espanha/França. (90 min.)
Dir.: Emir Kusturica

25/10 (Dom) | 22:00 – Sessão 303 | Cinemark Shopping Eldorado
30/10 (Sex) | 19:00 – Sessão 833 | Cinemark Cidade Jardim
04/11 (Qua) | 16:20 – Sessão 1257 | Unibanco Arteplex 1