A Town Called Panic

Caos organizado em A Town Called Panic

Frenética e bizarra, produção belga é uma obra prima da animação.

ISABELLA AYUB
O FINO DA MOSTRA

Panique au Village
é hors concours, literalmente. Exibido em Cannes fora de competição, o filme é uma animação em stop-motion criativa e genial, fruto do trabalho intenso dos realizadores belgas Stéphane Aubier e Vincent Patar. Mais de 144 mil frames, 200 litros de cola para madeira, 45 mil tijolos em miniatura e 260 dias de filmagem deram vida a essa obra prima da animação.

O enredo é bizarro. Índio e Cowboy, minúsculos bonequinhos em plástico (assim como todo o resto do “elenco”), moram com Cavalo e decidem lhe comprar um presente de aniversário: uma churrasqueira. Para tanto, precisam comprar tijolos a fim de confeccioná-la. O problema surge quando, ao invés de encomendarem 50 tijolos, acabam, acidentalmente, pedindo a modesta quantia de 50 milhões.

Esse é o ponto de partida para uma série de acontecimentos estranhos e catastróficos que acontecem na vida dos três personagens. Passando do pacato vilarejo às profundezas da terra, ao mar e à neve, a aventura de Cavalo, Índio e Cowboy, que faz rir a todo o momento, segue um ritmo frenético. O improvável não encontra limites nessa produção: Cavalo dorme em pé, colado à parede, de cobertor e travesseiro. Índio e Cowboy, assim como nos filmes western, vivem em eterna disputa.Steven,o fazendeiro, devora no café da manhã uma torrada com Nutella em tamanho natural – ou seja, mais do dobro de seu tamanho.

No entanto,embora o absurdo seja uma constante no longa, ele não chega a ser non-sense. A história segue uma progressão clara, pontuada por diversos clímax, prendendo,assim, a atenção de quem assiste durante os 76 minutos de filme. Mas nem só de histeria é feito Panique au Village. Os personagens são dotados de certa dimensão humana: Cavalo, por exemplo, é completamente apaixonado por Madame Longrée (uma égua que dá aulas de piano) e se acanha cada vez que fala com ela. Além disso, a maioria dos elementos do filme, de brinquedo, remete a uma infância comum a todos,trazendo um gosto de nostalgia.Em Panique au Village tudo pode acontecer: o bizarro se mistura ao sensível, mostrando que mesmo em meio ao caos é possível encontrar um quê de poesia.

A TOWN CALLED PANIC
(Panique au Village) 2009,Bélgica, França, Luxemburgo
Dir.: Stéphane Aubier e Vincent Patar

31/10 (Sáb) l 15:50 – Sessão 936, Episódios 5,6 e7 l Espaço Unibanco Pompéia 2
03/11 (Ter) l 22:40 – Sessão 1185 l Cinema da Vila

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