Sobre meninos e homens
Um drama sobre como superar os problemas da vida com firmeza, mas também com muita sensibilidade
LIGIA HERCOWITZ
O FINO DA MOSTRA
Exibido em diversos festivais de cinema por todo o mundo, o longa Patrik, idade 1,5 conta a história de um casal de homossexuais, Goran (Gustaf Skarsgard) e Sven (Torkel Petersson), que se muda para um aconchegante bairro na Suíça e resolve adotar uma criança. Depois de se decepcionarem por não conseguir a adoção, recebem finalmente um aviso sobre a disponibilidade de uma criança provinda de um ambiente conturbado, Patrik (Tom Ljungman), de um ano e meio. Porém, descobrem que o menino, na verdade, tem quinze anos e que é mais problemático do que eles imaginavam. É mal educado, homofóbico, agressivo e perigoso. Enquanto os assistentes sociais procuram por um lar melhor para Patrik, os dois o abrigam.
Goran é receptivo e tenta compreender a situação. Já Sven é dramático e extremista, demonstrando ódio pelo garoto. Durante o período em que Patrik fica na casa do casal, muitas coisas acontecem. Muitos acertos de contas e algumas mudanças. Essencialmente, trata-se de um filme sobre mudanças. Goran se torna mais maduro e “endurece” ao longo do filme, sendo capaz de buscar o melhor para si, custe o que custar. Já o garoto “amolece”, deixando de lado a máscara que vestia e mostrando o que há por trás de tanta violência. Assim, os dois constroem uma relação de afeto, transformando-se em grandes amigos.
É bonito de ver a relação dos dois. Mais bonito ainda é o desenrolar do filme, que emociona e que cativa até quem se incomoda com o amor homossexual. Cenas que poderiam ser chocantes para alguns, por mostrar beijos e carícias entre dois homens, revelam-se muito românticas e naturais. Ao mesmo tempo o filme é engraçado até no drama. As conversas do atual marido (Goran) com a ex-mulher de Sven são tão absurdas e tão diferentes do que estamos acostumados que chegam a ser pitorescas. Como uma troca de figurinhas.
Não é apenas um filme sobre a homossexualidade. Patrik, idade 1,5 trata da vontade de mudar, da influência que as pessoas exercem umas sobre as outras e, principalmente, do universo masculino. É um filme sobre homens e para os homens. O drama de três rapazes que são obrigados a conviver com as diferenças e a se tornarem mais humanos, sofrendo e se machucando como qualquer um. E perdendo a vergonha de serem sensíveis.
PATRIK, IDADE 1,5
(Patrik 1,5), 2008, Suécia. (100 min.)
Dir.: Ella Lemhagen