Arquivo do dia: 24/10/2009

A música em “500 dias com ela”

16 músicas e 500 dias

ALICE RANGEL do Bowlingforcake
ESPECIAL PARA O FINO DA MOSTRA

Raditude, o próximo álbum do Weezer, só será lançado no dia 3 de novembro, mas a música (If you’re wondering if I want you to) I want you to já ganhou um vídeo.

O clipe se passa em Weezerland, uma cidade habitada apenas pelos membros da banda e que tem sua rotina quebrada pela chegada de uma nova moradora. O vídeo foi dirigido por Marc Webb, diretor que entra em cartaz junto com a 33º Mostra de Cinema de São Paulo.

500 dias com ela é o primeiro filme de Webb, que já gravou mais de 80 video clipes, inclusive Perfect Situation do Weezer. O longa é uma comédia romântica que fala sobre Tom (Joseph Gordon-Levitt ) e os 500 dias que ele passa com Summer (Zooey Deschanel).

Um dos principais atrativos do filme é sua trilha sonora. Não tem Weezer, mas contem nomes tão distintos entre si como The Smiths e Carla Bruni. Apesar da variedade, o conjunto de canções que embalam as idas e vindas de Summer e Tom convive com naturalidade e harmonia.

As mulheres marcam presença com as já conhecidas Feist, Regina Spector e até a primeira dama francesa Carla Bruni. A novidade fica por conta da cantora canadense Meaghan Smith com a adorável canção Here Comes Your Man.

O cheiro de mofo veio representado pelas duplas Hall & Oates e Simon & Garfunkel e, é claro, pelo The Smiths. A finada banda de Morissey contribuiu com duas de suas mais belas canções: There’s a Light That Never Goes Out e Please, Please, Please Let Me Get What I Want. Há ainda uma versão cover da segunda música interpretada por She & Him, dupla de indie folk formada pela protagonista do filme Zooey Deschanel e por M. Ward.

Bandas já estabelecidas como Doves, Wolfmother e Black Lips convivem com a jovem australiana The Temper Trape, que viu sua carreira decorar depois que a música Sweet Disposition foi vinculada ao trailler do filme. Por fim, há a deliciosa e, infelizmente, extinta banda inglesa Mumm-Ha. A canção She’s Got You High é um dos pontos altos de uma das trilhas sonoras mais bem escolhidas dos últimos tempos.

500 DIAS COM ELA
((500) Days of Summer), 2009, Estados Unidos. (95 min.)
Dir.: Marc Webb

24/10 (Sáb) | 23:10 – Sessão 203 | Espaço Unibanco Pompéia 2
25/10 (Dom) | 13:50 – Sessão 266 | Cine Bombril 1
26/10 (Seg) | 21:30 – Sessão 418 | Cinemark Cidade Jardim
31/10 (Sáb) | 19:00 – Sessão 933 | Cine Tam 3

Mamonas pra Sempre (O Doc)

Um comentário sobre
o jeito Mamonas de filmar

LUIZ FELIPE FUSTAINO
O FINO DA MOSTRA

Eu e mais quatro colegas de faculdade concluímos na sexta-feira, 23 de outubro, o documentário Pornô S/A, trabalho de conclusão de curso da Faculdade Cásper Líbero. O filme retrata o mercado de filmes eróticos no Brasil por meio de entrevistas com atores, atrizes, diretores e produtores. Depois que entregarmos o documentário para a faculdade, restará nos prepararmos para defendermos o filme diante de uma banca avaliadora e trabalhar para que o filme não seja visto apenas pelos nossos parentes.

No mesmo dia em que finalizamos o TCC, assisti a Mamonas Pra Sempre (O Doc), um filme cuja condução foi uma referência para todos nós que produzimos Pornô S/A, mesmo sem ter visto o documentário sobre os Mamonas Assassinas. O diretor Cláudio Kahns não é sisudo, é econômico na quantidade de entrevistados (o que nos aproxima de todos eles) e foi editado de forma descontraída e dinâmica. Sem apelos dramáticos e com uma boa dose de escracho, Kahns leva ao cinema uma linguagem que precisa ser mais incorporada nos documentários, um jeito Mamonas de se filmar. As características que saltam aos olhos no doc sobre os Mamonas são as mesmas que pretendemos usar no nosso filme.

Não tenho dúvida de que, se nós tivéssemos assistido ao documentário sobre os Mamonas antes da finalização de Pornô S/A, teríamos sido ainda mais descontraídos na condução do documentário. Mas o filme dá a (boa) impressão de que trilhamos o caminho certo. Os próximos passos para o sucesso do documentário (e isso vale tanto para o dos Mamonas quanto para Pornô S/A) dependem daquilo que o vocalista Dinho diz no único momento do filme em que ele não está tirando onda: acreditem no sonho de vocês e façam as coisas da forma que acharem correta, mesmo que as pessoas tentem desacorajá-lo. Precisa dizer mais do que isso?

Quando a banda Utopia passou a ser Mamonas Assassinas, houve quem visse com certo descrédito aquela mistura do rock com o brega escrachado. O filme mamônico de Cláudio Kahns é, ao mesmo tempo, uma homenagem ao jeito descontraído dos Mamonas e uma tentativa de incorporar novas linguagens ao gênero do documentário.

MAMONAS PRA SEMPRE (O DOC)
2009, Brasil. (84 min.)
Dir.: Claudio Kahns

23/10 (Sex) | 21:00 – Sessão 55 | Espaço Unibanco Augusta 3
26/10 (Seg) | 12:00 – Sessão 383 | Reserva Cultural 1
03/11 (Ter) | 15:20 – Sessão 1211 | CineSesc

Oye Lucky! Lucky Oye!

Profissão: Ladrão

Sem moralismo, a comédia analisa o sistema capitalista que cria os ladrões

PEDRO DE BIASI
O FINO DA MOSTRA

Oye Lucky! Lucky Oye! traz uma trama vista em muitas outras produções. As semelhanças com Prenda-me Se For Capaz, de Spielberg, são muitas: o jovem descobre ter dons de ladrão, seus métodos são simples, ele foge constantemente da polícia, e por aí vai. Entretanto, tudo muda quando o enredo é transportado para a Índia. O filme começa com Lucky Singh (Abhay Deol) aos 31 anos, preso e com tudo o que roubou confiscado. Logo um flashback mostra como o garoto entrou para a vida criminosa. Vindo de família pobre, ele começa a furtar para satisfazer desejos pessoais, junto de seu irmão Bangali (Mani Rishi).

Existe um tom leve de humor negro, sem grandes arroubos dramáticos nem moralismos fáceis. Da mesma forma, o enfoque em um homem que vive à margem do sistema permite que o espectador embarque numa divertida fantasia. O visual também nada tem de novo, mas não chega a incomodar. Por outro lado, existe um comentário poderoso – e incômodo – nas entrelinhas: o ladrão é consequência direta do capitalismo.

Desde o início, Lucky furta itens para conquistar o sexo feminino. No entanto, essa coisificação mostra uma tendência ao consumismo que ele nem sempre percebe. Singh é visto como uma vítima da ordem capitalista. A quantidade e variedade absurda de seus roubos será explicada mais tarde. É a consequência de perceber que está preso num círculo vicioso de dinheiro e posses. Isso é visível no cenário de seu apartamento, lotado de objetos sem sentido.

A presença das mulheres também é curiosa. Ao longo do ágil roteiro, a personagem de Sonal (Neetu Shandra) é raramente desenvolvida. Sempre que a história se detém nela, no entanto, pode-se extrair significados tocantes. A breve cena em que ela explica sua formação marca a tragédia de ter uma vida promissora obstruída pelos excessos e vícios da riqueza.

Existe algo de curioso na performance de Deol, especificamente o fato de ela ser rasa. Mesmo que isso empobreça o personagem, é possível ver intenção nessa falha. Afinal, desde o começo, Lucky é citado como alguém que se parece com uma estrela de cinema. Sua superficialidade e seu carisma têm relação direta com a fama, como se o sistema capitalista achasse um meio de adequar a anomalia que ele mesmo criou.

É interessante reparar nas músicas do filme, todas compostas ou escritas pelo próprio diretor. O ótimo Paresh Rawal também rouba a cena com sua atuação. Ele assume nada menos que três papéis bem diferentes: o do pai de Lucky, de Gogi Bhai e do Dr. Handa. O destaque é a visão sobre o consumismo através dos olhos de um ladrão da Índia, país em que a economia e os problemas sócio-econômicos convivem com intensidade.

OYE LUCKY! LUCKY OYE!
(Oye Lucky! Lucky Oye!), 2008, Índia. (127 min.)
Dir.: Dibakar Banerjee

24/10 (Sáb) | 18:30 – Sessão 218 | Multiplex Marabá 2
25/10 (Dom) | 16:30 – Sessão 304 | Espaço Unibanco Pompéia 2
29/10 (Qui) | 17:20 – Sessão 646 | Unibanco Arteplex 4
31/10 (Sáb) | 18:20 – Sessão 958 | Matilha Cultural