O FINO DA MOSTRA

Espiral

19/10/2009 · Deixe um comentário

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Reflexos da imigração
Filme mexicano aborda tema sob o ponto de vista dos que ficam

ADRIANO GARRETT
O FINO DA MOSTRA

É natural que o cinema mexicano trate da imigração, tema tão presente no cotidiano do país que tem, na fronteira com os Estados Unidos, uma grande porta de entrada para imigrantes que tentam obter melhores condições de vida. Mas Espiral, filme de Jorge Pérez Solano, busca mostrar o lado  daqueles que ficam esperando pelo regresso dos que partiram.

A história se passa no povoado de San Pedro de Yodoyuxi. Ali, dois jovens -  Santiago e Diamantina -, estão apaixonados e querem se casar. Porém, o pai da garota exige um dote para o rapaz. Junto ao amigo Macário, Santiago ruma aos EUA para conseguir dinheiro para voltar e formar a sonhada família.

O filme critica o poder patriarcal imposto nestas pequenas cidades do interior, onde o desejo das pessoas é muitas vezes reduzido a uma dura e sofrida desilusão. É o que ocorre com Santiago, que volta três anos mais tarde com o dinheiro do dote e encontra Diamantina casada e grávida.

Quem parte buscando melhores condições de vida geralmente enfrenta condições iguais ou piores daquelas que deixou, e demora a conseguir juntar algum dinheiro. No entanto, o mérito do filme é manter o foco sobre as pessoas que ficam nestes pequenos povoados que vão, aos poucos, perdendo os seus habitantes para as grandes cidades.

Dezoito anos depois da primeira partida de Santiago, San Pedro mudou. Quase todos os homens em idade adulta partiram, deixando as mulheres, que passam a realizar todas as tarefas. Numa metáfora inteligente, o diretor mostra uma encenação da paixão de Cristo apenas com mulheres, inclusive representando Jesus. É um símbolo do nascimento de uma nova ordem social, que já se libertou das amarras da sociedade patriarcal.

É neste momento que Santiago volta à cidade, carregando consigo o fardo de todas as suas desilusões. O tempo de suas alegrias já se foi, mas ele enxerga numa pessoa a possibilidade de viver o que imaginara para sua vida.

O título Espiral, segundo o diretor, remete à ideia de que, apesar dos diversos ciclos que se repetem – nas três vezes em que Santiago e Diamantina encontram-se sem conseguir a união –, sempre há uma saída, ao contrário dos círculos, que representariam algo sem escapatória. Entretanto, percebe-se no filme que são poucos os que conseguem achar verdadeiramente uma saída, enquanto a maioria, como no caso de Santiago, entra em um círculo vicioso sem fim.

ESPIRAL
(Espiral), 2008, México. (100 min.)
Dir.: Jorge Pérez Solano

31/10 (Sab) | 19:30 – Sessão 879 | Espaço Unibanco Augusta 3
03/11 (Ter) | 15:30 – Sessão 1242 | MIS
04/11 (Qua) | 18:10 – Sessão 1292 | Cine Bombril 2
05/11 (Qui) | 17:40 – Sessão 1448 | Matilha Cultural

Categorias: Críticas · Filmes
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