NATHALIA GARCIA
O FINO DA MOSTRA
35 DOSES DE RUM – CLAIRE DENIS
Em seu longa-metragem, a francesa Claire Denis dirige um filme-homenagem ao prestigiado cineasta japonês Yasujiro Ozu, baseado na produção oriental Pai e Filha (1949). 35 Doses de Rum foi exibido no Festival de Veneza e no Festival Internacional de Toronto, em 2008.
Os elementos que mais aproximam as duas obras são: o posicionamento das câmeras e o retrato das relações humanas. Denis procura explorar ângulos de visão partindo de coisas materiais, o que Ozu denomina como “olhar dos objetos” e, mais do que o enredo, ela trabalha com a expressividade corporal dos personagens. Destaca-se a cena da dança no bar, ao som de Nightshift, do grupo Commodores.
RICKY – FRANÇOIS OZON
Indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim, em fevereiro, o filme do diretor François Ozon renova o universo familiar ao transportar o espectador do realismo francês para o cinema fantástico.
O longa, baseado no conto Moth de Rose Tremain, conta a história de Katie (Alexandra Lamy), uma mãe solteira que se envolve com o imigrante espanhol Paco (Sergi López) e fica grávida de um bebê especial. Diferentemente de outras produções do diretor, Ricky abandona o ceticismo e aposta no valor da família.
A GUERRA DOS FILHOS DA LUZ CONTRA OS FILHOS DAS TREVAS – AMOS GITAI
O longa-metragem, criado a partir da gravação da peça teatral A Guerra dos Judeus e dirigido pelo premiado cineasta israelense Amos Gitai, foi o segundo filme de abertura do Festival de Locarno (Suíça). O diretor exibe uma extensa lista de produções ao longo da história da Mostra – A Arena da Morte (20ª), Laços Sagrados (23ª), Wadi Grand Canyon (25ª), ganhou o prêmio da Crítica por Kedma (26ª), Alila (27ª), Terra Prometida (28ª), edição em que foi homenageado com uma retrospectiva, Free Zone (29ª), News from Home/News from House (30ª), A Retirada (31ª), Mais Tarde Você Entenderá (32ª), entre outros.
O enredo é narrado pela atriz Jeanne Moreau, interpretando o historiador judeu Flavius Josephe, que sobreviveU ao conflito entre judeus e romanos. O relato descreve momentos antes da destruição de Jerusalém pelo general romano Tito, a mando do imperador Vespasiano. A peça-filme aborda a resistência judaica diante dos adversários, aspecto que transporta a história para a atualidade ao fazermos um paralelo com o conflito palestino-israelense.
Trailer: http://www.mymovies.it/trailer/?id=55852
ERVAS DANINHAS – ALAN RESNAIS
Considerado entre os críticos como um dos maiores nomes do movimento da Nouvelle Vague francesa, o diretor francês Alains Resnais volta a participar da Mostra de Cinema após 20 anos. Autor de dois clássicos do cinema – Hiroshima Meu Amor (1959) e O Ano Paasado em Marienbad (1961), Resnais recebeu o Prêmio Especial pelo Conjunto da Carreira no Festival de Cannes em 2009 – júri presidido pela atriz Isabelle Huppert.
O filme exibe o romance entre a dentista Marguerite, interpretada pela mulher do diretor Sabine Azéma, e Georges (André Dussollier). O encontro entre as personagens ocorre quando George procura Marguerite para devolver os documentos que achara no chão, descartados por um ladrão que havia roubado sua bolsa. O francês de 87 anos renova a comédia romântica ao criar um clima de fantasia.
THE TIME THAT REMAINS – ELIA SULEIMAN
O mais recente filme do diretor palestino Elia Suleiman combina a história do Oriente Médio e de sua própria família, dando toques auto-biográficos para a produção que concorreu no Festival de Cannes este ano.
A trama tem início na ocupação da cidade de Nazaré pelo exército israelense, em 1948. Ela remonta alguns episódios da vida árabe-israelense a partir dos diários do pai de Suleiman, que atuava como combatente da resistência, e das cartas escritas por sua mãe aos familiares exilados. A história merece destaque ao tratar temas atuais como a identidade dos povos judeu e palestino.