Arquivo do dia: 14/10/2009

Destaques III – Documentários Brasileiros

LIGIA HERCOWITZ
O FINO DA MOSTRA

Alô, Alô, Terezinha! – Nelson Hoineff

O jornalista Nelson Hoineff estreia na Mostra – e dia 30 de outubro em circuito -, seu novo documentário sobre o incrível e pitoresco mundo de Abelardo Barbosa, o inesquecível Chacrinha. O filme revela a história de um dos maiores comunicadores do Brasil, com imagens de seu programa e depoimentos de quem o conhecia bem, como a ex-chacrete Rita Cadillac. Uma das famosas imagens que aparecem no documentário é a do cantor Biafra, quando foi atingido por um parapeito enquanto cantava a frase “Voar voar, subir subir…”, da música Sonho de Ícaro.

Alô, alô, Terezinha! foi exibido no 13º Cine-PE Festival do Audiovisual de Recife e recebeu quatro prêmios, entre eles o Troféu Calunga de Melhor Longa-Metragem e Melhor Filme pelo Júri Popular. O filme é indicado para maiores de 14 anos, fato curioso já que o próprio programa do Chacrinha, na época da ditadura, era de classificação livre e exibido aos sábados à tarde.

Caro Francis – Nelson Hoineff

O documentário, dirigido também pelo jornalista Nelson Hoineff, conta a vida de Paulo Francis, um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros. Lançado em DVD em 2008 com 95 minutos de duração, chega à Mostra em versão estendida. A nova versão do documentário foi lançada em julho de 2009, no II Festival de Cinema de Paulínia, onde conquistou o prêmio de Melhor Documentário pelo Júri Popular.

Francis escreveu no tablóide O Pasquim e no jornal Folha de S.Paulo, além de ter sido comentarista do programa Manhattan Connection (GNT). Ficou conhecido por ter se envolvido em diversas polêmicas, como o caso da Petrobrás em que foi condenado a pagar idenização à empresa por conta de seus textos contra ela.

Eu Eu Eu José Lewgoy – Cláudio Kahns

O documentário dirigido por Cláudio Kahns (produtor de filmes como A marvada carne, de 1985) conta a trajetória do ator brasileiro José Lewgoy, revivendo alguns trechos de seus trabalhos mais marcantes, além de exibir entrevistas com pessoas que conviveram com ele.

Lewgoy estudou artes cênicas em Yale, graças a uma bolsa conseguida por meio da influência do escritor Érico Veríssimo (cujo filho Luís Fernando Veríssimo também dá seu depoimento no documentário). Participou de mais de cem filmes e ganhou vários prêmios como ator de cinema e televisão. Ficou conhecido pelo personagem Edgar Dumont, na novela Louco de amor, de Gilberto Braga, que aparece no documentário.

Mamonas Assassinas, o Doc – Cláudio Kahns

Outro documentarista que exibirá dois filmes na Mostra é Cláudio Kahns, ele conta a história de um dos mais famosos e engraçados grupos de música que já existiu no Brasil. Após treze anos do trágico acidente que matou todos os integrantes do grupo, o filme de 85 minutos exibe imagens inéditas da banda, algumas gravadas por eles mesmos, que tinham o costume de filmar uns aos outros.

Os Mamonas Assassinas fizeram sucesso com um único disco, que vendeu mais de 2 milhões de cópias. Hits como Pelados em Santos e Robocop Gay, tornaram o grupo conhecido por todo o país, atingindo o sucesso em pouco tempo. Sem data de estreia prevista, o filme só foi exibido no Festival de Cinema de Paulínia.

Pixo – João Weiner e Roberto Oliveira

Em 2007, a Mostra de SP contou com a exibição do longa Bomb It, documentário sobre pichação. Nesse ano, a Mostra exibe o documentário Pixo, dirigido pelos irmãos João Wainer e Roberto Oliveira. Com destaque para a vida do ex-pichador Djan Ivson, de 24 anos, o filme discute a ação como arte e também como crime, na cidade de São Paulo. Além de Djan, o longa conta com o depoimento de Caroline Pivetta da Mota, conhecida pela pichação na Bienal em 2008, junto com outras 39 pessoas.

27 cenas sobre Jorgen Leth – Amir Labaki

Amir Labaki é crítico de cinema e autor de mais de dez livros sobre cinema e história. O fundador e diretor do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, já dirigiu o curta Eduardo Escorel, Um Intelectual no Cinema, em 2006. Agora, ele passa de vez para o outro lado da bancada, com o longa 27 cenas sobre Jorgen Leth.

O documentário retrata a vida do cineasta que, em 40 anos de atividade, dirigiu 45 filmes, entre eles curtas e diários de viagens. Em meio ao contexto cultural de sua formação, o filme mostra sua obra como poeta e como jornalista esportivo.  Leth veio ao Brasil em 2008, quando foi homenageado em São Paulo e no Rio de Janeiro, pelo 13o É Tudo Verdade. Labaki não perdeu a oportunidade e retratou sua passagem pelo país, preparando já o documentário sobre a vida do artista. O filme teve sua estreia no Festival do Rio 2009.

Domingos – Maria Ribeiro

Maria Ribeiro, atriz, e também conhecida por ser mulher do ator Caio Blat, começou a filmar com a pretenção de fazer um curta sobre a vida do ator, dramaturgo e cineasta Domingos de Oliveira. Com a quantidade de cenas e entrevistas que tinha, acabou se tranformando em um longa. O documentário Domingos abriu o É Tudo Verdade 2009de 2009.

Diretor de Todas as mulheres do mundo, de 1966, Domingos de Oliveira é autor de mais de 20 peças de teatro e dirigiu diversos filmes. Atualmente,com 73 anos, apresenta com sua mulher, Priscilla Rozenbaum, o programa de entrevistas Swing, no Canal Brasil, às quartas feiras. Em janeiro desse ano fez a estreia de seu programa com o próprio casal de atores Caio Blat e Maria Ribeiro, no qual a dupla revelou histórias curiosas de seu casamento.