Arquivo do dia: 30/10/2008

Anunciados os vencedores da Mostra

 

Veja abaixo os vencedores da 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo:


Prêmio da crítica – AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO, de Miguel Gomes
Prêmio da Juventude – VERÔNICA, de Maurício Farias
 

 

Prêmios do Público:

- Melhor Longa estrangeiro de ficção – JODHAA AKBAR, de Ashutosh Gowariker;

- Melhor Documentário  estrangeiro – YOUSSOU NDOUR: I BRING WHAT I LOVE, de Elizabeth Chai Vasarhelyi;

- Melhor Documentário de longa-metragem brasileiro – LÓKI – ARNALDO BATISTA, de Paulo Henrique Fontenelle;

- Melhor Longa brasileiro de ficção – APENAS O FIM, de Matheus de Souza;

 

Prêmio Teleimage de Finalização:

- Longa-Metragem – APENAS O FIM, de Matheus de Souza;

- Curta-Metragem – MONKEY JOY, de Amir Admoni;

- Média-Metragem – BODE REI, CABRA RAINHA, de Helena Tassara

 

Prêmios do Júri Oficial de Medias e Curtas Metragens:

- Menção Honrosa – VIDAS NO LIXO, de Alexander Stockler;

- Melhor Curta-Metragem Internacional – DEATH VALLEY SUPERSTAR, de Michael Yaroshevsky;

- Melhor curta-metragem Brasileiro – MONKEY JOY, de Amir Admoni;

- Melhor Média-Metragem Brasileiro: BODE REI, CABRA RAINHA, de Helena Tassara

 

Prêmios do Júri Oficial de Documentários:

- Menção Especial – CONHECENDO ANDREI TARKOVSKY, de Dimitry Tarkovsky;

- Prêmio Especial do Júri – KFZ-1348, de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso;

- Melhor Documentário – CRIANÇAS DA PIRA (Children of the Pyre), de Rajesh S. Jala;

 

Prêmios do Júri Internacional:

- Melhor atriz – SUSANNE WOLFF, de THE STRANGER IN ME (O Estranho em Mim);

- Melhor Filme – THE STRANGER IN ME (O Estranho em mim), de Emily Atef

 

Che

O QUE ESPERAR DE CHE

Um longo filme de ação
Steven Soderbergh tentou seguir o caminho de Spartacus e Ben-Hur, mas nas prateleiras o filme deve ficar ao lado do Rambo

LUIZ FELIPE FUSTAINO
O FINO DA MOSTRA

Che não traz surpresa nenhuma. Ao saber que o filme tem quase quatro horas e meia de duração, você espera que,vai se cansar durante o filme e é exatamente isso o que acontece. Imagina que Benicio del Toro no papel do revolucionário será daquelas atuações memoráveis? Na mosca! Espera que, pela duração e pelo título do filme, vai assistir a um épico sobre um herói de seu tempo, e, embora pretenda, o filme não chega a ser um épico. Embora pretenda.

O filme é feito para agradar a legião de fãs de Che Guevara – e quem sabe arrebanhar outros mais. Em tom de reverência, suas duas partes (El Argentino e Guerilla) exibem-no em campo de batalha. Na primeira, vemos o desempenho de Che no triunfo dos guerrilheiros em tomar o poder em Cuba. Na segunda, acompanhamos a fracassada tentativa de promover uma revolução popular na Bolívia.

Com o intuito de mostrar os feitos heróicos de Ernesto Guevara, Steven Soderbergh não constrói a cinebiografia definitiva de seu personagem, e nem atinge o tom que pretende alcançar a todo o tempo. Isso porque o Che do filme é um líder romântico, e não um líder político. Um filme que se exime de mostrar as complexidades de seu protagonista – ao contrário do revolucionário, o personagem não sabe negociar, nunca muda de idéia e não tem ouvidos para nada além das reclamações dos camponeses – é incapaz de figurar entre os épicos.

Che não passa de um filme de ação com lampejos de discussão política, e é por essa razão que os altos e baixos do personagem em batalha acompanham os do filme: quando o herói triunfa, a platéia vibra; quando está sem forças e fracassa, o público se entedia. Ao espectador, cabe apenas embarcar no filme de ação em que entrou e aproveitar ao máximo as várias cenas barulhentas que dão mais vigor à primeira parte do que à segunda. Não espere nada além disso.

CHE
(Guerrilla / El Argentino, 2008. EUA, Espanha, França. 268 min.)
Dir.: Steven Soderbergh

30/10 (Qui) | 19:00 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 1
30/10 (Qui) | 19:00 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 2
31/10 (Sex) | 18:10 | CineSesc

REPESCAGEM | FIM-DE-SEMANA

Clique no link a seguir para ver a programação da repescagem nesse fim-de-semana. Continue lendo

Fechem-se as cortinas

Por que a Cinemateca é parada obrigatória
para os freqüentadores da Mostra

LUIZ FELIPE FUSTAINO
O FINO DA MOSTRA

A localização da Cinemateca Brasileira sempre foi um empecilho para mim, sobretudo quando eu ainda não tinha carro em São Paulo. Como é que eu faço para chegar à Vila Clementino? Só fui saber que não era tão longe do centro quando foi preciso ir até lá. Foi preciso: todos os filmes que eu queria ver no último dia da 31ª Mostra Internacional de Cinema, em 2007, estavam lá.

Eu já tinha passado bem ao lado da Cinemateca antes de entrar ali pela primeira vez, mas não dei a menor atenção. O motivo: quem faz o exame do Detran para tirar a carteira de motorista lá na Vila Mariana (afinal, a Vila Clementino não é nada mais que um pedaço da Vila Mariana) faz o teste da balisa bem na frente da Cinemateca. Com as pernas trêmulas e os olhos no retrovisor, nos cones e na prancheta do instrutor, eu não dei bola para aquele prédio. Mas só isso explica como uma pessoa pode ignorar uma construção daquelas.

A Cinemateca Brasileira está num surpreendente prédio que abrigou, no século XIX, o Matadouro Municipal, cenário de abates de gado. A construção se parece com uma grande fábrica antiga: tijolos à vista, pé direito altíssimo e ambientes espaçosos.

Lá não existem apenas salas de cinema. O diferencial da Cinemateca é o seu acervo – mais de 200 mil rolos de filmes compõem o maior acervo de imagens em movimento da América Latina. Biblioteca, centro de pesquisa e documentação e um cafezinho para papear sobre os filmes também são atrativos da Cinemateca. Os banheiros, bem decorados e cheios de modernices, acabam ganhando em charme devido ao contraste entre o velho e o novo.

As salas de cinema, porém, é que dão um show à parte. A sala BNDES, com capacidade para 240 pessoas, tem equipamentos modernos de som e de projeção e tem poltronas confortáveis. A maior parte das salas de cinema é assim, mas nenhuma delas causa tanto impacto ao espectador. A sala é de paredes de vidro, que permitem que a luz natural a ilumine. Aqueles cinco minutinhos em que se espera sentado ao início do filme, e que costumam demorar em outras salas, não são nada monótonos. As paredes antigas da Cinemateca ganham vida do lado de fora da sala – parece que estão todos construindo narrativas, pensando em como funcionava aquele prédio no século passado.

Não há luzes para apagar antes de o filme começar. As paredes de vidro são cobertas por negras cortinas de pano. Fecham-se as cortinas, começa o espetáculo.

CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino – São Paulo/SP
http://www.cinemateca.gov.br/