Waltz With Bashir

CRÍTICA DOIS EM UM:
PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO / WALTZ WITH BASHIR

A frieza dos soldados
Algo justifica a barbárie de uma guerra?

LIGIA HERCOWITZ
O FINO DA MOSTRA

Um em forma de animação, o outro com pessoas reais. Um se trata da Guerra do Líbano, envolvendo soldados israelitas, e o outro sobre a guerra dos EUA contra o terrorismo. Os filmes Procedimento Operacional Padrão (P.O.P.) e Waltz With Bashir possuem diferenças alarmantes, como a própria apresentação. Além disso, têm cenários diferentes e situações de guerras também distintas. Porém, tem um fator em comum: ambos abordam a questão do mea-culpa dos soldados.

O filme P.O.P. relata a história real da descoberta de fotos em que prisioneiros de Abu Ghraib, acusados de terrorismo, sofrem torturas nas mãos de soldados americanos. O mais interessante desse episódio é o fato de que essas fotos foram tiradas pelos próprios torturadores, relatando o que faziam. Assim, eles aparecem nelas, se vangloriando pelo feito. Chega a ser assustador.

Já a animação Waltz With Bashir se baseia em uma conversa entre dois amigos (sendo um deles o próprio diretor do filme) sobre as memórias da Guerra do Líbano. Não conseguindo se lembrar de muitos fragmentos do que havia vivido, um deles resolve buscar, por meio dos companheiros de guerra, cenas do que viveu. Cenas que, apesar de serem desenhos, apavoram.

A questão da culpa que os soldados têm, em ambas as guerras, aparece claramente. Nos dois filmes, os soldados relatam que foram obrigados a tomar certas atitudes a pedido de seus superiores, e que, por isso, não tinham outra saída. Como se não tivessem sido eles os que atiraram no inimigo ou colocaram prisioneiros nus em posições humilhantes. Como se virassem outra pessoa. E é aí que alguns se questionam: “Afinal, qual é a culpa de quem ‘apenas’ executa ordens tão cruéis? Realmente não existe outro jeito?”

Através dos depoimentos, uns em forma de animação e outros em imagens reais, podemos ver a indiferença estampada no rosto de quem viveu a guerra. A frieza de quem relata o que passou e, principalmente, o que fez. As marcas deixadas pelo sofrimento.

WALTZ WITH BASHIR
(Waltz With Bashir, 2008. Israel, Alemanha, França. 87 min.)
Dir.: Ari Folman
25/10 (Sab) | 23:30 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 1
25/10 (Sab) | 23:30 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 2

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