
Sobre a vida e uma guitarra
Ou como um filme que tem tudo para ser chato consegue ser interessante e belo
MARIANA PASINI
O FINO DA MOSTRA
A Guitarra não é a melhor opção na Mostra e nem a mais original. Afaste-se dele se você tem horror à menor sombra de autoajuda. Mas aqueles que curtem rock’n'roll – e, de preferência, a filosofia – vão se deixar levar com a brincadeira quase ingênua da estréia na direção da americana Amy Redford, filha de Robert Redford.
O enredo beira o clichê. Melody descobre que tem poucos meses de vida e decide aproveitá-los como pode: retira-se para um loft e passa a consumir os produtos mais bonitos, suaves e supérfluos dos catálogos que recebe. Ela recebe os entregadores Roscoe e Cookie quase nua, e sua situação inusitada chama a atenção deles, ainda mais quando decide reviver um sonho de criança: aprender a tocar uma Fender gloriosa e imponentemente vermelha. A convivência entre eles põe à prova os limites de Melody, que mudam conforme os dias vão passando e suas prioridades mudando. Ela própria não passará imune a toda essa reviravolta.
O roteiro faz bem em ater-se ao simples e, por isso mesmo, revela uma beleza modesta. A mensagem não é difícil de entender, chega a ser previsível, o que seria uma pena se não fosse colocado de forma tão singela e estranhamente sóbria. Aos poucos, a notícia da proximidade da morte se torna um grande lance de sorte. Testando o quanto de sexo e rock’n'roll cada um traz em sua essência (a parte das drogas a gente só imagina), vale a pena entrar na onda de A Guitarra, ainda mais se for para seguir o recado que o filme deixa: apenas curtir.
A GUITARRA
(The Guitar, 2008. EUA. 93 min.)
Dir.: Amy Redford
26/10 (Dom) | 18h30 | Unibanco Arteplex 3
27/10 (Seg) | 17h00 | Unibanco Arteplex 2
28/10 (Ter) | 17h40 | HSBC Belas Artes 2
30/10 (Qui) | 14h00 | Unibanco Arteplex 4