Como é assistir a um filme no
vão livre do MASP?

MARIA SILVIA FERRAZ
O FINO DA MOSTRA
Assistir a um filme no vão livre do MASP é uma experiência do tipo que só poderia se ter em São Paulo. Durante a 32ª Mostra foram exibidos, de segunda a sexta no MASP, os destaques do evento no ano passado. No dia 27 de outubro, foi a vez de Across the Universe, de Julie Taymor.
O evento reuniu, para minha surpresa, uma multidão de pessoas: jovens, idosos, moradores de rua, moradores dos Jardins, hippies, punks, casais e, claro, gente que passava pela Avenida Paulista e resolveu conferir o porquê do “bafafá”. Nem a fina chuva e o frio espantaram os espectadores, sentados nas cadeiras, no chão ou de pé mesmo.
O barulho dos ônibus passando e das buzinas dos carros criam todo um ambiente diferenciado, em que se pode conversar durante o filme sem ouvir pedidos de silêncio da pessoa ao lado. Em muitos momentos, a platéia cantou, dançou e aplaudiu. O filme, um musical ambientado nos anos 1960, tem como trilha sonora clássicos dos Beatles. Durante a canção “Hey Jude”, uma das últimas a serem tocadas, todos já estavam entrosados e cantando alegremente com a possibilidade de um inesperado final feliz.
Tomara que, da próxima vez, os organizadores da Mostra estejam mais preparados para receber tanta gente. Afinal, descontração é bom, mas ficar de pé por 2 horas nem tanto. Apesar disso, assistir a filmes no vão livre do MASP em plena segunda-feira a noite é prova de que São Paulo ainda oferece boas opções de cultura de graça.


