
Iniciando com o fim
Alunos da PUC-RJ provam que é possível fazer cinema com pouco dinheiro
MARIANA SERAPICOS
ESPECIAL PARA O FINO DA MOSTRA
O filme Apenas o Fim é uma produção de alunos da PUC do Rio de Janeiro, um longa realizado na base do amor e da amizade, provando que existe um cinema brasileiro, apesar de todas as dificuldades, e que ele finalmente respira.
Um verdadeiro retrato de uma geração que cresceu com Pokemón e Cavaleiros do Zodíaco, que quando jovem se voltou para Bergman e Godard. Um diálogo entre um casal que passa a sua última hora juntos relembrando e vivendo.
É possível observar as inúmeras influências do diretor, elas vão de Antonioni a Fellini e é impossível não notar pitadas de Annie Hall no roteiro. O filme é, antes de tudo, honesto e verdadeiro. Ao invés de se propor gigantesco logo de início, ele se prova gigantesco através de sua mera simplicidade.
Mais do que um retrato, um reflexo de pessoas que nunca se viram na tela do cinema. Dinâmico e envolvente, o filme, em seus breves oitenta minutos, provoca risada e choro por ser calcado no real em todos os seus aspectos.
A fotografia granulada da câmera digital acrescenta charme. Os tons amarelos entrecortados por cenas em preto e branco constrói uma narrativa paralela que, por si só, renderia um outro filme e o fato do diretor não optar por separá-las as torna únicas.
A química dos protagonistas não pode ser negada e o timing de ambos para a comédia revela a sincronia em que os dois se encontravam. O diálogo que se estabelece entre unidade e separação é recorrente e evocado de uma maneira sutil, fugindo do óbvio.
Muitos afirmam que fazer cinema não é uma tarefa fácil, exige o compromisso de muitos, confiança, cumplicidade e dinheiro; esse grupo de alunos da PUC provou que o último não é necessariamente verdadeiro.
APENAS O FIM
(Apenas o Fim, 2008. Brasil. 80 min.)
Dir.: Matheus Souza
17/10 (Sex) | 21:50 | Unibanco Arteplex 1
18/10 (Sab) | 19:20 | iG Cine
19/10 (Dom) | 13:00 | Reserva Cultural Sala 1
Depois de assistir a esse filme uma dúvida ficou permeando minha cabeça: ele queria fugir do clichê ou ser o próprio clichê? Pq sem dúvidas a maneira como ele retrata o fim de um namoro é surreal, ninguém consegue terminar como eles terminaram… Mas ao mesmo tempo, os diálogos, completamente compreensíveis àqueles que viveram nos anos 90, são assuntos incansalvelmente debatidos por nossa geração. Não que eu ache que o filme tenha essa pretensão de ser ultra-alternativo ou nada alternativo. Mas não sei, talvez a rigidez da minha pessoa tenha sentido falta de uma posição mais definida. Algumas cenas são engraçadas sim, mas no momento em que os assuntos ficam mais sérios parece que tudo fica meio piegas. Fiquei pensando se os próprios atores, que representam os jovens da nossa geração, não estão tão desacreditados do amor que acabam por transparecer isso até mesmo nos filmes.
Bom, é isso, muitas perguntas…
Bjos!
incansalvelmente foi foda!
Adorável, porém repetitivo.