
Rotina e tédio
De maneira lenta, a produção francesa mostra uma verdade que destrói aos poucos.
MARINA DOMINGUES
O FINO DA MOSTRA
Um tiro é dado atrás da porta, não se sabe por que nem quem o disparou, e o que acontece a seguir serve justamente para explicar o motivo do disparo. Um pai desempregado e depressivo, uma mãe sempre ocupada e um filho que parece absorver os problemas e transformá-los em tédio. A relação entre eles é tão distante que a dúvida sobre quem poderia ter atirado só aumenta ao longo do filme.
Laurent, o filho, é um garoto quieto e problemático. Não se comunica com ninguém, até porque conversa é algo raro no cotidiano da família. O filme mostra apenas um dia na vida do garoto, mas já é possível ver como vive Laurent, que usa as más influências como escapismo, andando com amigos mais velhos e se envolvendo em situações que sua mãe desaprova dia após dia. Já Nadine, a mãe, vive ocupada com trabalho e não dá atenção ao filho ou ao marido, que é visto como um parasita, que bebe o dia todo e só depende do esforço da esposa para continuar vivendo. Quando Roger, o pai da família, tenta reverter a distância entre todos, é possível ver que o caso já atingiu um estado irreversível.
9 MM tem poucos diálogos e, quando acontecem, são entre gritos e brigas. Essa falta de conversa, de convivência entre os personagens, torna o filme parado e até entediante, assim como a expressão de Laurent, num tom blasé, do começo ao fim do filme. Outra característica do filme é a repetição de cenas, já que a intenção é mostrar o dia da família, de todos os pontos de vista. Cenas se repetem, com a visão do filho, da mão e do pai. Esse artifício torna o filme cansativo, já que a mesma situação é vista sempre três vezes, de três ângulos.
Mesmo cansativo e repetitivo, o filme mostra de maneira sincera como uma família se desintegra com facilidade, apenas com a quebra do diálogo, já que cada um se fecha no seu mundo, lidando apenas com o seu problema. Quando a resolução do caso se aproxima, a cena do tiro acontece novamente pra mostrar quem foi o autor do disparo, com diálogos entre a família e ação pela primeira vez no longa, o filme acaba em seu ponto alto, destruindo a monotonia de uma família em constante desgaste.
9 MM
(9 MM, 2008. Bélgica, França. 94 min)
Dir.: Taylan Barman
19/10 (Dom) | 21:30 | Cine Bombril Sala 2
20/10 (Seg) | 16:00 | HSBC Belas Artes 2
21/10 (Ter) | 14:30 | Espaço Unibanco Pompéia 10
28/10 (Ter) | 15:40 | CineSesc