
O estigma precoce de Louis Garrel
Por que o jovem galã francês precisa se livrar logo de suas caretas
LUIZ FELIPE FUSTAINO
O FINO DA MOSTRA
Depois de chamar atenção em Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci, Louis Garrel passou a atrair um certo público feminino para os filmes de que faz parte. Revezando entre a direção de Christophe Honoré (Em Paris, Canções de Amor) e do pai, Philippe Garrel (Amantes Constantes e A Fronteira da Alvorada, em exibição na Mostra), é sempre ele o ator que mais se destaca nos filmes. Porém, aos 25 anos, Louis Garrel dá sinais de que seus personagens são sempre mais do mesmo – quando, na verdade, não são.
A Fronteira da Alvorada, um dramalhão francês que deve alçar vôos bem menores que o parecido Amantes Constantes, dá uma chance para que Garrel se liberte do estigma de sedutor-brincalhão, com um personagem mais contido (e até mais complexo) do que o habitual. Porém, parece sempre que ele precisa extravasar, seja fazendo umas caretas, seja gesticulando de forma muito afetada.
Louis Garrel possui um carisma de causar inveja a muito ator por aí. O jeitão abobalhado reforçado pelos cabelos despenteados, a beleza nada hermética que lhe confere o nariz sobressaliente, a blusa de gola rulê que todos os seus personagens vestem, tudo isso faz dele um cara, no mínimo, charmoso. Mas sua carreira começa a tomar o formato da do brasileiro Selton Mello (dez anos mais velho que ele): o forte apelo com o público é inquestionável e se reflete em um ator prolífico, mas que deixa sempre a impressão que está no mesmo papel: o dele mesmo. (E que não se culpe os diretores, entre eles o seu pai, por isso!)
A FRONTEIRA DA ALVORADA
(La Frontière de L’aube, 2008. França. 106 min)
Dir.: Philippe Garrel
Leia a sinopse
19/10 (Dom) | 18:40 | Reserva Cultural Sala 1
20/10 (Seg) | 22:00 | CineSesc
25/10 (Sab) | 21:50 | Reserva Cultural Sala 1
26/10 (Dom) | 14:20 | Cine Bombril Sala 1
28/10 (Ter) | 14:30 | Reserva Cultural Sala 1

