
Hanami expressa beleza de todas as formas
Com dois grandes eixos temáticos – a indiferença dos filhos, e o amor incondicional e além-túmulo, Hanami – Cherry Blossoms se mostra um filme crítico sem a aridez esperada daqueles com este tipo de abordagem
NATALIA HORITA
O FINO DA MOSTRA
Apesar de pecar na duração – 126 minutos que seriam facilmente enxugados –, Hanami – Cherry Blossoms aborda temas que tangenciam a sensibilidade de quem assiste. Muito aprazível, todos os cenários que o filme dispõe são bem estruturados e bem definidos, com cores ricas e sintonizadas, o que muito remete à cultura oriental. O nome, aliás, provém de uma mescla entre a comemoração da chegada da primavera (Hanami), com a árvore cujas flores são típicas do Japão, Cerejeiras (ou Cherry Blossoms).
Trudi é uma devota esposa, que nutre um fascínio pelo estudo e conhecimento da cultura japonesa, especialmente pela dança butô, mas deixa seu gosto de lado por vergonha e por seu marido Rudi não partilhar deste deleite. Ao ficar ciente da condição de paciente terminal de seu esposo, ela decide omitir a verdade e fazer com que ele aproveite os dias que lhe restam. Programa, então, uma ida à Berlim para rever dois de seus três filhos. Mas a súbita visita não procede do jeito imaginado. O casal é negligenciado, e os filhos adotam como sinônimos falta de disposição e falta de tempo. Sentindo o desconforto, marido e mulher rumam para a praia e a ironia do destino bate à porta – Trudi repentinamente morre, deixando o marido, que desconhece sua real situação, sozinho.
O viúvo pena para aceitar a morte de sua ex-esposa, e resolve embarcar para o Japão para vivenciar tudo aquilo que Trudi amava. Lá, também é mal-recebido pelo filho que antes era protegido, Karl, que o trata com a mesma indiferença de Karolin e Klaus, os filhos que moram em Berlim. Desolado, vagando por um país em que não é familiarizado com nada, Rudi conhece a menina Yu, com quem edifica uma sincera e bonita amizade, que muito se assemelha com a relação afetuosa pai e filha.
O final é previsível, mas gravado de forma tão emocionante e bem-feita que facilmente produz lágrimas em quem assiste. A estética e a harmonia de cores e movimentos ajudam a compor o clímax do filme.
A indiferença, a apatia, a solidão e a desorientação frente à morte de um ente querido são alguns dos muitos assuntos que moldam o leque temático de Hanami e o tornam um filme tão humano e intrinsecamente belo. O desinteresse com o qual os filhos tratam os pais é uma evidente crítica a essa triste impessoalidade que as relações adquiriram em tempos corridos, ocupados, com valores invertidos. E, ainda assim, a amizade e a dedicação a um amor ainda acham uma brecha, e chamam mais atenção do que a insistência do homem em não manter suas relações pessoais de forma respeitosa.
HANAMI – CEREJEIRAS EM FLOR
(Hanami – Cherry Blossoms, 2008. Alemanha. 126 min.)
Dir.: Doris Dörrie
17/10 (Sex) | 21:30 | Cinemark Cidade Jardim
18/10 (Sab) | 21:00 | iG Cine
21/10 (Ter) | 14:00 | Espaço Unibanco Pompéia 1
22/10 (Qua) | 13:30 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 2
25/10 (Sab) | 20:00 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 3
27/10 (Seg) | 17:20 | HSBC Belas Artes 2