
Mera prepotência
O retrato da monotonia não acrescenta nada além de… monotonia
LUIZ FELIPE FUSTAINO
O FINO DA MOSTRA
Quem assistir a Liverpool e só depois ler a sua sinopse no site oficial da Mostra, como eu fiz, possivelmente vai se espantar. Como pode uma sinopse dizer mais sobre um filme do que ele próprio? Há resposta para isso: com o objetivo de retratar a monotonia da vida de seu protagonista, o cineasta argentino Lisandro Alonso não conta sua história por meio de diálogos – que são escassos –, mas de metáforas visuais.
Sempre há um elemento cenográfico de cor vermelha. Um chapéu vermelho, uma mala vermelha, uma chaleira vermelha… A demora para fazer os cortes entre as cenas é outro recurso que atende às metáforas visuais de Liverpool. Quando a ação (ação?) se encerra, a câmera continua parada, mostrando um toco de lenha aqui, uma mesa de bar (adivinhem de que cor…) ali. Será que aquela lenha quer dizer alguma coisa? O que será que a sigla que estampa aquela mala significa?
É assim, cheio de imagens propositais, mas nulo de idéias e de uma história para contar, que o filme se sustenta. Quem comprar esse argumento prepotente de tentar entender todas essas metáforas, pode se dar mal. Querendo saber o porquê dos vermelhos, das lenhas e das siglas, a única pergunta que te perseguirá minutos após o filme será: e daí?!
LIVERPOOL
(Liverpool, 2008. Argentina/Alemanha/outros. 84 min.)
Dir.: Lisandro Alonso
17/10 (Sex) | 19:30 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 2
18/10 (Sab) | 13:00 | Cine Bombril 1
19/10 (Dom) | 19:50 | Cinemateca – sala BNDES
30/10 (Qui) | 14:50 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 3
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