O amor como coadjuvante
Erotismo e desejo, esses são os papéis principais de Love Life
MARINA DOMINGUES
O FINO DA MOSTRA
A primeira cena de Love Life é emblemática: a preparação de um piquenique, onde tudo parece na mais completa ordem, é destruída por um vento momentâneo. O filme se baseia nisso, numa relação consolidada que é destruída por um personagem, aparentemente, passageiro. A história gira em torno de Jara, uma mulher casada, que vive uma rotina – casa, faculdade e trabalho. Sua família mantém uma relação saudável, até que um amigo de seu pai aparece e faz o papel do vento, destruindo toda a estabilidade.
Jara cria um mundo que não existe ao se apaixonar por Arie, o amigo de seu pai. O homem não dá nenhum sinal de interesse, mas mesmo assim a jovem se encanta e começa uma incansável perseguição a ele. Desde ir a sua casa no meio da tarde, até viajar com ele. A situação deles se agrava a cada cena, mas mesmo humilhada pelo amante, ela continua encantada com uma paixão que não existe.
Mesmo com a mãe no hospital e com o marido a seus pés, nada faz Jara perceber o quão perdida ela está, enquanto Arie a vê apenas como mais um objeto sexual. É difícil entender o que move essa paixão repentina; a única possível explicação é a gana por aventura, por novidade, já que ela parece entediada com sua vida o tempo todo.
Love Life é repleto de cenas desnecessárias, que nada adicionam ao filme, como cenas de sexos que se repetem diversas vezes a troco de nada, pois seria possível ver que Jara está submissa ao amante, mesmo sem tantas cenas eróticas. Mas o longa consegue prender a atenção do espectador, causando curiosidade com as reviravoltas na história. O que poderia se tornar uma história previsível, como qualquer outra sobre relacionamento e traição, surpreende ao revelar que não se trata só disso, que o drama vai além do presente.
Quem assistir à produção israelense esperando uma grande história de amor, se decepcionará. O filme trata o amor com descaso, nenhuma relação no longa é baseada nesse sentimento e todos aqueles que acreditam nele são deixados de lado, numa trama onde só a atração e o desejo interessam.
LOVE LIFE
(Love Life, Israel/Alemanha. 2007. 104 minutos)
Dir: Maria Schrader
17/10 (Sex) | 20:40 | Espaço Unibanco Pompéia 1
19/10 (Dom) | 15:30 | Espaço Unibanco Augusta 3
20/10 (Seg) | 19:00 | Cine TAM
22/10 (Qua) | 18:20 | Unibanco Arteplex 2


