La Bohème

A ópera vai ao cinema
E o resultado é desanimador: uma repetição de versos e de fórmulas

MARIANA PASINI
O FINO DA MOSTRA

La Bohème (La Bohème, Áustria) é baseado na ópera homônima do compositor italiano Giacomo Puccini, escrita no século XVII e baseada em Scènes de la Vie de Bohème, do novelista francês Henri Murger. Portanto, se você topar assisti-lo, saiba o que te espera: uma longa sucessão de cantorias nas notas mais inatingíveis possível. Em todo o filme, apenas três falas não são cantadas.

A ópera narra a história de encontros e desencontros do poeta Rodolfo e da costureira Mimi na Paris de 1830, que vivia a efervescência da boemia e da arte. Rodolfo morre de ciúmes de sua companheira. Ela, por sua vez, vai aos poucos morrendo de tuberculose – a doença que é quase um clássico dos romances. Como enredo secundário, há o conturbado caso do pintor Marcello com Musetta, que leva a vida tirando vantagem de seus amantes.

As primeiras cenas são um tanto animadoras: Rodolfo e Marcello, acompanhados de seu amigo filósofo Colline, queimam a ópera escrita pelo poeta para se manterem aquecidos no cruel frio parisiense. Junta-se a eles o músico Schaunard, e todos partem para o Café Momus, exceto Rodolfo, que deseja terminar um artigo. Desse modo, acaba conhecendo Mimi, que bate à sua porta pedindo por uma chama para sua vela. Aos poucos, porém, as canções parecem se repetir e o filme não evolui.

Os únicos méritos de La Bohème são a fotografia, algumas cenas da ebulição cultural daquele começo de século e a escalação dos atores. Eles não fazem nada feio abrindo o vozeirão e cantando nos extremos dos gogós. Entretanto, em várias cenas do romance de Rodolfo e Mimi você pode chegar a se perguntar se ele está tentando beijá-la ou engoli-la.

O diretor Robert Dornhelm poderia ter pensado num novo formato para a ópera, mas decidiu colocá-la de cabo a rabo na tela. O resultado não funciona: ópera e cinema não combinaram. O romantismo de séculos atrás poderia ser colocado em novos formatos. Nos moldes em que foi aplicado em La Bohème, poucos serão aqueles que irão apreciá-lo.

LA BOHÈME
(La Bohème, 2008. Áustria, 110 min.)
Dir.: Robert Dornhelm

24/10 (Sex) | 20:40 | Cine Sesc
27/10 (Seg) | 19:40 | Cine Bombril 1
28/10 (Ter) | 19:30 | HSBC Belas Artes 2

2 respostas para La Bohème

  1. Discordo. Você reclamou pelos motivos errados.

    Fui ver La Bohème na repescagem. Não conhecia, nem sabia de nada. Fiz uma careta inicial, ao perceber que era uma ópera, mas depois me encantei.

    Agora li alguma coisa em outros sites e vi que não era motivo pra tanto.

    E a moça que faz a Mimi tem uma pele bem ruinzinha, não?

  2. Que não me entendam mal: o filme não é mal feito, é mal pensado. Insisto que poderia ter sido pensado num novo formato… Acaba sendo como a ópera hoje em dia: não é todo mundo que gosta.
    E não achei a pele da Mimi ruim… Acho que isso é “reclamar” pelo motivo “errado”.

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