Arquivo do dia: 15/10/2008

Os filmes da minha vida


Este ano a Mostra promove os encontros Os Filmes da Minha Vida: críticos, diretores e pessoas ligadas ao cinema conversarão com o público a respeito dos filmes que os influenciaram de alguma forma. Entre os convidados estão os diretores Walter Salles e o italiano Marco Bechis (foto), que passou a infância em São Paulo e abre a Mostra com sua produção filmada no Brasil, Terra Vermelha, e o crítico de cinema da Folha Inácio Araújo.

Os encontros ocorrem de 18 a 29 de outubro sempre às 11h no Clube da Mostra (Sala 4 do anexo do Espaço Unibanco | Rua Augusta, 1475). O evento é gratuito e está sujeito à lotação da sala.

Os Filmes da Minha Vida: convidados
18/10 – LEON CAKOFF
19/10 – HUBERT ALQUÉRES
20/10 – RUBENS EWALD FILHO
21/10 – CARLOS REICHENBACH
22/10 – DANIELA THOMAS
23/10 – BRUNO BARRETO
24/10 – INÁCIO ARAÚJO
25/10 – HELENA IGNEZ
26/10 – WALTER SALLES
27/10 – MARCO BECHIS
28/10 – HECTOR BABENCO
29/10 – RENATA DE ALMEIDA

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La Bohème

A ópera vai ao cinema
E o resultado é desanimador: uma repetição de versos e de fórmulas

MARIANA PASINI
O FINO DA MOSTRA

La Bohème (La Bohème, Áustria) é baseado na ópera homônima do compositor italiano Giacomo Puccini, escrita no século XVII e baseada em Scènes de la Vie de Bohème, do novelista francês Henri Murger. Portanto, se você topar assisti-lo, saiba o que te espera: uma longa sucessão de cantorias nas notas mais inatingíveis possível. Em todo o filme, apenas três falas não são cantadas.

A ópera narra a história de encontros e desencontros do poeta Rodolfo e da costureira Mimi na Paris de 1830, que vivia a efervescência da boemia e da arte. Rodolfo morre de ciúmes de sua companheira. Ela, por sua vez, vai aos poucos morrendo de tuberculose – a doença que é quase um clássico dos romances. Como enredo secundário, há o conturbado caso do pintor Marcello com Musetta, que leva a vida tirando vantagem de seus amantes.

As primeiras cenas são um tanto animadoras: Rodolfo e Marcello, acompanhados de seu amigo filósofo Colline, queimam a ópera escrita pelo poeta para se manterem aquecidos no cruel frio parisiense. Junta-se a eles o músico Schaunard, e todos partem para o Café Momus, exceto Rodolfo, que deseja terminar um artigo. Desse modo, acaba conhecendo Mimi, que bate à sua porta pedindo por uma chama para sua vela. Aos poucos, porém, as canções parecem se repetir e o filme não evolui.

Os únicos méritos de La Bohème são a fotografia, algumas cenas da ebulição cultural daquele começo de século e a escalação dos atores. Eles não fazem nada feio abrindo o vozeirão e cantando nos extremos dos gogós. Entretanto, em várias cenas do romance de Rodolfo e Mimi você pode chegar a se perguntar se ele está tentando beijá-la ou engoli-la.

O diretor Robert Dornhelm poderia ter pensado num novo formato para a ópera, mas decidiu colocá-la de cabo a rabo na tela. O resultado não funciona: ópera e cinema não combinaram. O romantismo de séculos atrás poderia ser colocado em novos formatos. Nos moldes em que foi aplicado em La Bohème, poucos serão aqueles que irão apreciá-lo.

LA BOHÈME
(La Bohème, 2008. Áustria, 110 min.)
Dir.: Robert Dornhelm

24/10 (Sex) | 20:40 | Cine Sesc
27/10 (Seg) | 19:40 | Cine Bombril 1
28/10 (Ter) | 19:30 | HSBC Belas Artes 2

Rocknrolla – A Grande Roubada

Ainda bem que é engraçado…
…porque se dependesse da trama que o conduz, Rocknrolla seria um thriller insuportável

LUIZ FELIPE FUSTAINO
O FINO DA MOSTRA

Rocknrolla – A Grande Roubada (Rocknrolla, Reino Unido) dura quase duas horas, mas as reviravoltas propostas por Guy Ritchie em sua mais recente comédia de ação poderiam ser contadas em muito menos tempo. A disputa por sete milhões de dólares entre um gângster old-school, um mafioso russo, uma contadora sexy e criminosos meia-boca não tem muito mistério. A medíocre história contada em Rocknrolla é apenas pretexto para deixar rolar uma série de gags hilárias que podem agradar ao público que deixar a trama de lado e se divertir com o humor do filme, que se deve, em primeiro lugar, ao seu país de origem.

O que está lá é o humor britânico, entidade que ainda conserva muito mais vigor do que o “futebol brasileiro” ou a “economia norte-americana”. Nas vezes em que a estafa toma conta do humor, um segundo elemento entra em cena. Assim como em seus filmes anteriores, ele escala ótimos atores e os mantém mais perdidos que cachorro em tiroteio.

Deslocar os atores do seu habitat natural é o mais sagaz dos truques de Guy Ritchie. O gângster decadente de Tom Wilkinson e o macho-calado que não consegue manter a cara amarrada por muito tempo, interpretado por Gerard Butler (que não é o Russell Crowe!), só não se enfraquecem em meio à frouxa trama do filme graças ao desempenho dos atores. Mark Strong (que não é o Andy Garcia!) também se destaca no papel do braço-direito Archie.

Outra marca de Guy Ritchie se faz presente em Rocknrolla – e, novamente, se torna uma opção interessante: o submundo londrino é tratado com total desprendimento crítico. Ao jogar Pinho Bril no cenário do crime e dar descarga várias vezes, constrói-se um filme em que se restringe o espaço para as cenas de ação, mas que permite que o espectador se divirta ainda mais. Felizmente, o filme não tenta nos provocar aquela mistura de riso com peso na consciência – que está em moda desde que George Clooney deixou de ser apenas ator. Ao desinfetar o ambiente do crime (e não fazer um Syriana britânico), o diretor compensa com muita risada aquilo que poderia ser um thriller insuportável.

ROCKNROLLA – A GRANDE ROUBADA
(Rocknrolla, 2008. Inglaterra. 114 min)
Dir.: Guy Ritchie

17/10 (Sex) | 22:20 | Cine Bombril 1
20/10 (Seg) | 21:30 | Cinemark Cidade Jardim
21/10 (Ter) | 16:00 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 1
23/10 (Qui) | 14:00 | Espaço Unibanco Pompéia 1
30/10 (Qui) | 17:20 | Espaço Unibanco Augusta 3
Estréia em circuito no dia 31/10