Lokas

Um outro lado do prisma
Comédia que escapa aos padrões da Mostra trata de forma agradável a homossexualidade

BRUNA CARICATI
O FINO DA MOSTRA

Para a literatura chilena, existe Pablo Neruda; para o cinema, Gonzalo Justiniano. O diretor e ex-jornalista, vencedor de diversos prêmios, põe em voga seu 8º filme na Mostra deste ano. Lokas (Lokas, México/Chile, 2008) tem como tema central a homossexualidade e a objeção a essa condição por parte dos homofóbicos. Apesar de tratar de um assunto relativamente polêmico, que para muitos ainda é um tabu, Justiniano criou uma obra despretensiosa, engraçada e tocante.

A história cobre a vida de Charly (Rodrigo Bastidas), um viúvo homofóbico que tem um garoto curioso e esperto. Ele acaba sendo preso e após sua saída, a mando da mãe, embarca com seu filho Pedro (Raimundo Bastidas) para o México, a fim de reencontrar o pai que não via há 30 anos. Chegando lá, tem uma surpresa: seu pai, Mario, interpretado pelo humorista chileno Coco Legrand, agora é homossexual e mora com o namorado em uma casa estranhamente decorada. Inicialmente, Charly se mantém receoso e omite ao filho a real condição do avô. De modo que passa a inventar histórias para que o menino não descubra a verdade.

Porém, Charly encontra-se desempregado, e Mario, comovido com a situação, arranja um trabalho para o rapaz em uma boate gay freqüentada pela alta sociedade mexicana. O bom salário faz com que o jovem homem não hesite e se sujeite às mudanças necessárias para poder encarar o cargo de garçom. A metamorfose é o ápice da história. O moço tenta ignorar ao máximo o preconceito, altera seu comportamento e transforma seu visual – tudo por dinheiro.

No entanto, se vê em um conflito, à medida que precisa esconder de Pedro os detalhes acerca de seu ofício. Outro dilema que Charly precisa enfrentar é a atração por Liliana (Fabiola Campomanes), dona da boate, uma vez que a bela moça não pode desconfiar de que ele é heterossexual, pois a revelação poria em risco seu emprego. Entre dúvidas, insinuações e provocações as três gerações tentam se compreender. A força da relação entre Charly e Pedro é perceptível, já que na vida real eles são pai e filho.

Lokas é uma produção chileno-mexicana que foge do clichê constantemente presente no cenário alternativo predominante na Mostra. Traz o humor aprazível em uma história que poderia se transformar em um drama. Lida com o choque de gerações, ao passo que Mario é o gay liberal, Charly, protetor e homofóbico e Pedro anseia pelo novo e desconhecido. O filme, exibido para a imprensa sem legendas, é facilmente compreensível mesmo assim. Não há sombra de dúvidas de que é uma boa opção para assistir na Mostra, pois rir ainda continua sendo o melhor remédio.

LOKAS
(Lokas, 2007. México/Chile. 90 min)
Dir.: Gonzalo Justiniano

17/10 (Sex) | 19:30 | Cinemark Shopping Eldorado
27/10 (Seg) | 16:00 | Cine Bombril 1
29/10 (Qua) | 17:00 | Cine Olido

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