Hunabkú

Se o problema fosse só o nome…
Drama familiar, tradição maia, magia, falsa antropologia e unicórnios – a produção argentina Hunabkú se perde entre assuntos desconexos.

MARINA DOMINGUES
O FINO DA MOSTRA

Com a mudança do emprego do pai, Lucas se vê mudando de Buenos Aires para uma região deserta da Patagônia e então começa a grande viagem. A família instala-se em uma casa no meio do nada, cercada apenas por gelo e um vigilante noturno, que não parece ter nada para vigiar. Coisas estranhas começam a acontecer com Lucas, como premonições e sonhos anormais, e então ele se interessa por um curso de antropologia, o que o leva a conhecer Nicolas, seu mentor.

Professor e aluno se aproximam, e o garoto demonstra interesse pela sabedoria de seu mestre, e pelas figuras que adornam sua sala. Entre elas o símbolo Maia Hunab Ku, que apesar de dar nome ao filme, só é identificado e explicado no fim, sendo a simbologia da concentração de energia do centro da galáxia. Nicolas divide alguns de seus conhecimentos sobre magia e assuntos sobrenaturais com o menino.

E aí que começa a tragédia cinematográfica. Muitos assuntos que não se relacionam, tigres que não existem, passagens secretas, questionamentos inúteis, ciência e magia, tudo numa desarmonia inenarrável. E, como se isso não bastasse, a película é ainda decorada com o drama da mãe, que tem um sério problema: dorme durante a tarde e tem insônia durante a noite.

Em um filme em que nada se salva, a aparição de um unicórnio não surpreende, já que a loucura, que inicialmente era vista apenas no menino, parece se espalhar por toda a família como se fosse contagiosa. O filme termina com imagens que mais parecem de um documentário sobre o aquecimento global, deixando uma grande dúvida sobre qual é o tema ou mesmo a intenção de um filme sem pé nem cabeça.

HUNABKÚ
(Hunabkú, 2007. Argentina. 100 min)
Dir: Pablo César

17/10 (Sex) | 18:10 | Cine Bombril 1
18/10 (Sab) | 15:00 | Reserva Cultural 1
19/10 (Dom) | 19:40 | Centro Cultural São Paulo

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