
Religião e ateísmo
Quatro Capítulos mostra o drama dos jovens indianos ao terem que escolher entre acreditar em Deus ou não. Além disso, é uma bela história de amor.
MARIA SILVIA FERRAZ
O FINO DA MOSTRA
Quatro Capítulos (Chaturanga – Four Chapters, Índia), do badalado diretor Suman Mukhopadhyay, mostra três realidades da Índia atual: a classe média, cuja mentalidade é fincada no tradicionalismo e no preconceito; os liberais, que insistem em seguir os costumes ingleses e pregam uma sociedade sem castas; e os grupos religiosos que vivem em comunidades isoladas e fazem voto de pobreza, dedicando suas vidas a adorar Krishna.
Baseada em obra homônima de Rabindranath Tagore, a história gira em torno de Sachish, um jovem culto que sente profunda admiração por seu tio, um carismático velhinho que aprecia literatura e música clássica. Já o pai de Sachish não concorda com as idéias de seu irmão e os problemas começam quando o tio leva pobres para dentro da casa da família para distribuir comida.
O irmão de Sachish compactua com as idéias do pai e humilha publicamente sua jovem esposa quando descobre, na noite de núpcias, que ela não é mais virgem. Preocupado com a honra da pobre moça, Sachish decide se casar com ela, mas ela se mata nas vésperas do casamento, deixando o noivo triste e desiludido. Para piorar, o tio de Sachish também morre, levando-o a abandonar a vida na cidade e o ateísmo e se mudar para uma comunidade Hare Krishna, onde serve ao guru Guruji.
Um ano se passa quando Sribilash, um velho amigo de Sachish, encontra-o durante uma viagem. Sribilash, que era seguidor das idéias do tio de Sachish, tenta convencê-lo a voltar à vida racionalista e ao ateísmo de antes, mas acaba convertido à nova religião, e os dois passam a viver juntos.
Tudo passa tranqüilamente até que o marido da bela e sedutora Damini morre, mas não sem antes deixa-la aos cuidados de Guruji. Logo os dois amigos se apaixonam pela viúva, resultando num turbilhão de sentimentos e dúvidas. O final não é o de um filme de amor, já que Damini acaba ficando com o melhor amigo de sua grande paixão. Mesmo assim, é um final interessante, pois mostra como escolhas aparentemente erradas podem resultar em um casamento feliz.
O ponto alto do filme é a trilha sonora. As músicas são quase hipnotizantes, devido à língua em que são cantadas – o bengali – e às letras místicas. A trilha completa pode ser baixada no site oficial do filme. Outro acerto do diretor, que agora está desenvolvendo projetos na Europa, são as belíssimas cenas em praias. O filme foi indicado aos prêmios de melhor diretor pela BFJA, melhor diretor revelação pelo Lankesh Award e escolha da audiência pelo Dhaka International Film Festival.
Apesar de um pouco cansativo (133 minutos de exibição, com legendas em inglês), vale a pena ver o filme na tentativa de entender as crenças e os costumes indianos. A atuação de Rituparna Sengupta, que faz Damini, também merece reconhecimento e o figurino é belíssimo. Boa opção para quem gosta de cinema indiano e para quem quer conhecê-lo.
QUATRO CAPÍTULOS
(Chaturanga – Four Chapters. Índia, 2008)
Dir.: Suman Mukhopadhyay
21/10 (Ter) | 13:30 | Espaço Unibanco Augusta 3
22/10 (Qua) | 18:00 | iG Cine
28/10 (Ter) | 18:00 | Centro Cultural São Paulo