Gomorra: Cittá di Dio
Com enredo previsível e histórias alternadas, Gomorra surpreende na frieza.
BRUNA CARICATI
NATALIA HORITA
NATHALIA GARCIA
O FINO DA MOSTRA
Adaptado do livro Camorra do escritor e jornalista Roberto Saviano, Gomorra(Gomorra, Itália, 2008) é, sem dúvida, um dos principais filmes da 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, uma vez que recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2008. Dirigido por Matteo Garrone, a história relata o cotidiano vivido em Nápoles e Campanha, na Itália, onde se estabelece uma guerra controlada pelos clãs da máfia.
A trama se desenrola com base em cinco histórias, que, apesar de não terem personagens em comum e nem se ligarem diretamente, abordam o mesmo assunto: a co-existência da máfia e da sociedade italiana. Por ser um mosaico, o filme muitas vezes torna-se confuso, e as narrativas paralelas e fragmentadas acabam fazendo com que o espectador se perca dentro do enredo. O nome do filme é uma miscelânea de alusões: além do episódio bíblico de Sodoma e Gomorra, cidades do pecado, refere-se ao grupo mafioso que controla os negócios naquela região da Itália, a Camorra. O filme delineia a triste realidade dos que convivem com os mafiosos, e denuncia diversas formas das pessoas se envolverem com essas atividades ilícitas.
A estrutura da máfia compromete diversas atuações, moldando uma teia complexa. Para abranger essa multiplicidade, o filme retrata a consolidação desse sistema por meio de personagens-tipo, como a do menino Totó e sua iniciação no mundo mafioso através de pequenos trabalhos; a ambiciosa dupla de adolescentes, Ciro e Marco, que tentam ascender neste cenário, desrespeitando tanto as leis, quanto a hierarquia que ele exige; o alfaiate Pasquale, que evidencia o drama do trabalhador explorado vendendo seus serviços para os concorrentes chineses, em busca de melhores condições; Don Ciro, o responsável por entregar o dinheiro que sustenta os familiares de criminosos presos ou mortos e um representante do alto escalão da máfia e seu assistente, que o abandona por seus princípios não serem compatíveis com sua função.
Gomorra pode não ter um enredo surpreendente, mas agrada por sua transparência e frieza – a Camorra existe em qualquer lugar. Uma organização na qual não há tolerância e paciência quando se trata de alcançar seus desejos mais proibidos. Um universo em que não há espaço para a indecisão. Ou se é da máfia ou se está contra ela. É oito ou oitenta.

GOMORRA
(Gomorra, 2008. Itália. 137 min)
Dir.: Matteo Garrone
17/10 (Sex) | 18:00 | Cinemateca – Sala BNDES
18/10 (Sab) | 19:20 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 1
19/10 (Dom) | 20:50 | Reserva Cultural 1
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