Arquivo do dia: 06/10/2008

A première de Juventude, filme de Domingos de Oliveira: muitas palmas, muito chope

LUMA RAMIRO MESQUITA
DIRETO DO FESTIVAL DO RIO

Aconteceu segunda (29/9), às 22h, no Cinema Odeon, na Cinelândia, a première do filme Juventude, de Domingos de Oliveira.

Domingos caminhou no tapete vermelho ao lado da sua amada mulher, a atriz Priscila Rozenbaum. Estavam às luzes dos inúmeros fotógrafos que por vezes irritaram as celebridades presentes no evento como Camila Pitanga (e seus profundos e elegantes decotes), Marieta Severo, Caio Blat (de paletó e camiseta aberta declarando a opção eleitoral “Gabeira”) e a esposa, a atriz Maria Ribeiro. Os atores do filme também estavam presentes, como o ator Paulo José e a atriz de Jogo de Cena e única mulher do Juventude, Aleta Vieira, 22 anos.

O filme foi recebido com três sessões de aplausos. O cinema estava lotado e era difícil conseguir um lugar no grande cinema Odeon. O filme conta a história de três “garotos da 3ª idade”, David (Paulo José), Antônio (Domingos de Oliveira) e Ulisses (Aderbal Freire-Filho). Eles foram amigos a vida toda e encontram-se para comemorar os 50 anos desde que se conheceram na escola, ao encenarem o clássico português “A Ceia dos Cardeais”. Fazem um balanço de suas vidas e, em especial, dos seus passados e atuais amores. O filme é de uma sensibilidade incrível e é evidente o quão genial é o ator, diretor e mestre Domingos de Oliveira. Muitas das frases incríveis que Domingos falava em conversas ou no palco, no dia do seu aniversário, foram ouvidas no filme.

Após a sessão, a equipe inteira do Juventude e os amigos de Domingos de Oliveira (Caio Blat, Maria Ribeiro, Marieta Severo, Paulo José e companhia) foram tomar um chope e conversar.

Tomamos um chope no bar ao lado do cinema Odeon. Alguns, tomaram vários. A mesa era grande e seis mesas juntas não foram suficientes para todos ocuparem um lugar, mas nada como um jeitinho carioca, uma apertadinha, para todos comemorarem num brinde: “À Juventude!”. Se a mesa era grande, melhor sair antes para não ver a conta: duzentos e tantos reais, em menos de uma hora! A repórter que vos fala tomou apenas um chope, mas contribuiu com 10 reais, afinal, faltava dinheiro para pagar a conta e, infelizmente, a idéia de sair antes da mesa só veio tarde demais.

 

Gomorra

 

Gomorra: Cittá di Dio

Com enredo previsível e histórias alternadas, Gomorra surpreende na frieza.

 

BRUNA CARICATI

NATALIA HORITA

NATHALIA GARCIA

O FINO DA MOSTRA

 

Adaptado do livro Camorra do escritor e jornalista Roberto Saviano, Gomorra(Gomorra, Itália, 2008) é, sem dúvida, um dos principais filmes da 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, uma vez que recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2008. Dirigido por Matteo Garrone, a história relata o cotidiano vivido em Nápoles e Campanha, na Itália, onde se estabelece uma guerra controlada pelos clãs da máfia.

 

A trama se desenrola com base em cinco histórias, que, apesar de não terem personagens em comum e nem se ligarem diretamente, abordam o mesmo assunto: a co-existência da máfia e da sociedade italiana. Por ser um mosaico, o filme  muitas vezes torna-se confuso, e as narrativas paralelas e fragmentadas acabam fazendo com que o espectador se perca dentro do enredo. O nome do filme é uma miscelânea de alusões: além do episódio bíblico de Sodoma e Gomorra, cidades do pecado, refere-se ao grupo mafioso que controla os negócios naquela região da Itália, a Camorra. O filme delineia a triste realidade dos que convivem com os mafiosos, e denuncia diversas formas das pessoas se envolverem com essas atividades ilícitas.

 

A estrutura da máfia compromete diversas atuações, moldando uma teia complexa. Para abranger essa multiplicidade, o filme retrata a consolidação desse sistema por meio de personagens-tipo, como a do menino Totó e sua iniciação no mundo mafioso através de pequenos trabalhos; a ambiciosa dupla de adolescentes, Ciro e Marco, que tentam ascender neste cenário, desrespeitando tanto as leis, quanto a hierarquia que ele exige; o alfaiate Pasquale, que evidencia o drama do trabalhador explorado vendendo seus serviços para os concorrentes chineses, em busca de melhores condições; Don Ciro, o responsável por entregar o dinheiro que sustenta os familiares de criminosos presos ou mortos e um representante do alto escalão da máfia e seu assistente, que o abandona por seus princípios não serem compatíveis com sua função.

 

Gomorra pode não ter um enredo surpreendente, mas agrada por sua transparência e frieza – a Camorra existe em qualquer lugar. Uma organização na qual não há tolerância e paciência quando se trata de alcançar seus desejos mais proibidos. Um universo em que não há espaço para a indecisão. Ou se é da máfia ou se está contra ela. É oito ou oitenta.

 

 

 

GOMORRA
(Gomorra, 2008. Itália. 137 min)
Dir.: Matteo Garrone

17/10 (Sex) | 18:00 | Cinemateca – Sala BNDES
18/10 (Sab) | 19:20 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 1
19/10 (Dom) | 20:50 | Reserva Cultural 1