
O olhar próximo
Novo filme de Jean-Pierre e Luc Dardenne propõe mais reflexão e menos sentimentalismo
WILSON SAIKI JR.
O FINO DA MOSTRA
O Silêncio de Lorna (Le Silence de Lorna, vários países), último filme dos irmãos Dardenne, segue a mesma linha de suas produções anteriores: retratar um drama pessoal, seguindo de perto os personagens e seus conflitos. Com a experiência de ambos em documentários, levam a câmera sempre próxima acompanhando as ações com o olhar descritivo, montando aos poucos o mosaico que situa o espectador à trama. Assim foi em A Criança, vencedor da Palma de Ouro em 2005, e também neste último, vencedor do prêmio de Melhor Roteiro em Cannes.
Como o dinheiro e a ambição podem levar pessoas a tomar determinadas atitudes? Lorna, imigrante albanesa, paga à Claudy para que se casem e possibilite a ela conseguir a cidadania belga. Ao mesmo tempo Lorna tem um romance com Sokol, que sabe da situação de sua namorada com Claudy. Juntos, o casal pretende abrir uma lanchonete, mas para obter o dinheiro e, depois, adquirir a condição de cidadã belga, a personagem principal terá que se divorciar de seu “marido” e estabelecer, novamente, um casamento de fachada com um mafioso russo, que é intermediado por um taxista albanês que recebe uma boa parte do dinheiro envolvido no negócio.
Quando Lorna encara o divórcio com Claudy, em dificuldades com a abstinência das drogas, cria por ele um afeto antes inexistente, o que a faz tentar a separação de maneira conciliatória.
Uma boa história em seqüências interessantes que seguem Lorna antes e depois do acontecimento que virá a ser o principal do filme, sua rotina e situações de tensão interpretadas pela albanesa Arta Dobroshi, que aprendeu a língua francesa para participar da produção, ela realiza uma atuação convincente e realista em seus modos de interpretação. Outro destaque é o ator Jeremie Renier, um dos protagonistas de A Criança (2005), no papel do viciado Claudy.
A partir daí, o filme entra nas questões humanas da culpa e das conseqüências por decisões tomadas, onde os personagens se revelam. Ainda que em alguns momentos exagere nas referências aos problemas políticos e sociais – drogas, imigração, máfia, aborto (de uma gravidez que não se confirma) –, consegue evitar os julgamentos e sentimentalismos, mais presentes nas obras anteriores dos dois irmãos.
O SILÊNCIO DE LORNA
(Le Silence de Lorna, 2008. Bélgica/França/Itália/Alemanha. 105 min)
Dir.: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
17/10 (Sex) | 17:30 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 2
18/10 (Sab) | 22:20 | Reserva Cultural 1
20/10 (Seg) | 21:00 | Cine TAM 3
24/10 (Sex) | 17:10 | Espaço Unibanco Augusta 3
26/10 (Dom) | 22:00 | Espaço Unibanco Pompéia 1
Estréia em circuito no dia 07/11
O trecho “de uma gravidez que não se confirma”, é meio ‘spoiler’ não? :)
Abraços.
Gostei da crítica, parabéns pelo blog, está muito bom!
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Estou afim de ver esse filme, que tem recebido críticas elogiosas.