Arquivo do mês: outubro 2008

Anunciados os vencedores da Mostra

 

Veja abaixo os vencedores da 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo:


Prêmio da crítica – AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO, de Miguel Gomes
Prêmio da Juventude – VERÔNICA, de Maurício Farias
 

 

Prêmios do Público:

- Melhor Longa estrangeiro de ficção – JODHAA AKBAR, de Ashutosh Gowariker;

- Melhor Documentário  estrangeiro – YOUSSOU NDOUR: I BRING WHAT I LOVE, de Elizabeth Chai Vasarhelyi;

- Melhor Documentário de longa-metragem brasileiro – LÓKI – ARNALDO BATISTA, de Paulo Henrique Fontenelle;

- Melhor Longa brasileiro de ficção – APENAS O FIM, de Matheus de Souza;

 

Prêmio Teleimage de Finalização:

- Longa-Metragem – APENAS O FIM, de Matheus de Souza;

- Curta-Metragem – MONKEY JOY, de Amir Admoni;

- Média-Metragem – BODE REI, CABRA RAINHA, de Helena Tassara

 

Prêmios do Júri Oficial de Medias e Curtas Metragens:

- Menção Honrosa – VIDAS NO LIXO, de Alexander Stockler;

- Melhor Curta-Metragem Internacional – DEATH VALLEY SUPERSTAR, de Michael Yaroshevsky;

- Melhor curta-metragem Brasileiro – MONKEY JOY, de Amir Admoni;

- Melhor Média-Metragem Brasileiro: BODE REI, CABRA RAINHA, de Helena Tassara

 

Prêmios do Júri Oficial de Documentários:

- Menção Especial – CONHECENDO ANDREI TARKOVSKY, de Dimitry Tarkovsky;

- Prêmio Especial do Júri – KFZ-1348, de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso;

- Melhor Documentário – CRIANÇAS DA PIRA (Children of the Pyre), de Rajesh S. Jala;

 

Prêmios do Júri Internacional:

- Melhor atriz – SUSANNE WOLFF, de THE STRANGER IN ME (O Estranho em Mim);

- Melhor Filme – THE STRANGER IN ME (O Estranho em mim), de Emily Atef

 

Che

O QUE ESPERAR DE CHE

Um longo filme de ação
Steven Soderbergh tentou seguir o caminho de Spartacus e Ben-Hur, mas nas prateleiras o filme deve ficar ao lado do Rambo

LUIZ FELIPE FUSTAINO
O FINO DA MOSTRA

Che não traz surpresa nenhuma. Ao saber que o filme tem quase quatro horas e meia de duração, você espera que,vai se cansar durante o filme e é exatamente isso o que acontece. Imagina que Benicio del Toro no papel do revolucionário será daquelas atuações memoráveis? Na mosca! Espera que, pela duração e pelo título do filme, vai assistir a um épico sobre um herói de seu tempo, e, embora pretenda, o filme não chega a ser um épico. Embora pretenda.

O filme é feito para agradar a legião de fãs de Che Guevara – e quem sabe arrebanhar outros mais. Em tom de reverência, suas duas partes (El Argentino e Guerilla) exibem-no em campo de batalha. Na primeira, vemos o desempenho de Che no triunfo dos guerrilheiros em tomar o poder em Cuba. Na segunda, acompanhamos a fracassada tentativa de promover uma revolução popular na Bolívia.

Com o intuito de mostrar os feitos heróicos de Ernesto Guevara, Steven Soderbergh não constrói a cinebiografia definitiva de seu personagem, e nem atinge o tom que pretende alcançar a todo o tempo. Isso porque o Che do filme é um líder romântico, e não um líder político. Um filme que se exime de mostrar as complexidades de seu protagonista – ao contrário do revolucionário, o personagem não sabe negociar, nunca muda de idéia e não tem ouvidos para nada além das reclamações dos camponeses – é incapaz de figurar entre os épicos.

Che não passa de um filme de ação com lampejos de discussão política, e é por essa razão que os altos e baixos do personagem em batalha acompanham os do filme: quando o herói triunfa, a platéia vibra; quando está sem forças e fracassa, o público se entedia. Ao espectador, cabe apenas embarcar no filme de ação em que entrou e aproveitar ao máximo as várias cenas barulhentas que dão mais vigor à primeira parte do que à segunda. Não espere nada além disso.

CHE
(Guerrilla / El Argentino, 2008. EUA, Espanha, França. 268 min.)
Dir.: Steven Soderbergh

30/10 (Qui) | 19:00 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 1
30/10 (Qui) | 19:00 | Frei Caneca Unibanco Arteplex 2
31/10 (Sex) | 18:10 | CineSesc

REPESCAGEM | FIM-DE-SEMANA

Clique no link a seguir para ver a programação da repescagem nesse fim-de-semana. Continue lendo

Fechem-se as cortinas

Por que a Cinemateca é parada obrigatória
para os freqüentadores da Mostra

LUIZ FELIPE FUSTAINO
O FINO DA MOSTRA

A localização da Cinemateca Brasileira sempre foi um empecilho para mim, sobretudo quando eu ainda não tinha carro em São Paulo. Como é que eu faço para chegar à Vila Clementino? Só fui saber que não era tão longe do centro quando foi preciso ir até lá. Foi preciso: todos os filmes que eu queria ver no último dia da 31ª Mostra Internacional de Cinema, em 2007, estavam lá.

Eu já tinha passado bem ao lado da Cinemateca antes de entrar ali pela primeira vez, mas não dei a menor atenção. O motivo: quem faz o exame do Detran para tirar a carteira de motorista lá na Vila Mariana (afinal, a Vila Clementino não é nada mais que um pedaço da Vila Mariana) faz o teste da balisa bem na frente da Cinemateca. Com as pernas trêmulas e os olhos no retrovisor, nos cones e na prancheta do instrutor, eu não dei bola para aquele prédio. Mas só isso explica como uma pessoa pode ignorar uma construção daquelas.

A Cinemateca Brasileira está num surpreendente prédio que abrigou, no século XIX, o Matadouro Municipal, cenário de abates de gado. A construção se parece com uma grande fábrica antiga: tijolos à vista, pé direito altíssimo e ambientes espaçosos.

Lá não existem apenas salas de cinema. O diferencial da Cinemateca é o seu acervo – mais de 200 mil rolos de filmes compõem o maior acervo de imagens em movimento da América Latina. Biblioteca, centro de pesquisa e documentação e um cafezinho para papear sobre os filmes também são atrativos da Cinemateca. Os banheiros, bem decorados e cheios de modernices, acabam ganhando em charme devido ao contraste entre o velho e o novo.

As salas de cinema, porém, é que dão um show à parte. A sala BNDES, com capacidade para 240 pessoas, tem equipamentos modernos de som e de projeção e tem poltronas confortáveis. A maior parte das salas de cinema é assim, mas nenhuma delas causa tanto impacto ao espectador. A sala é de paredes de vidro, que permitem que a luz natural a ilumine. Aqueles cinco minutinhos em que se espera sentado ao início do filme, e que costumam demorar em outras salas, não são nada monótonos. As paredes antigas da Cinemateca ganham vida do lado de fora da sala – parece que estão todos construindo narrativas, pensando em como funcionava aquele prédio no século passado.

Não há luzes para apagar antes de o filme começar. As paredes de vidro são cobertas por negras cortinas de pano. Fecham-se as cortinas, começa o espetáculo.

CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino – São Paulo/SP
http://www.cinemateca.gov.br/

O Menino do Pijama Listrado

“Por que vocês usam pijamas?”
O retrato da Alemanha nazista diante da inocência de uma criança

NATHALIA GARCIA
O FINO DA MOSTRA

Adaptado do romance The Boy in the Striped Pyjamas, do escritor irlandês John Boyne, o filme O Menino do Pijama Listrado aborda o Holocausto com um forte viés emocional, a partir da ingenuidade dos olhos de um menino de oito anos.

A promoção do pai de Bruno, oficial nazista, transformou a vida de sua família ao partir de Berlim, em plena 2ª Guerra Mundial, para o campo. Sentindo-se entediado, o menino desacata as ordens de sua mãe e parte em busca da “fazenda” que viu de sua janela. Depara-se com uma grade de arame farpado, onde encontra Shmuel do outro lado. Curioso, ele busca aproximar-se do “vizinho” e a cada questionamento transmite sua sensibilidade na construção de uma amizade com o garoto de mesma idade. Os grandes e expressivos olhos azuis de Bruno vêem o outro com simplicidade e são incapazes de assimilar o porquê de todos que vivem do lado oposto da cerca usarem pijamas listrados e, ainda mais, numerados.

Outros dois personagens são muito representativos – o professor e o soldado subordinado ao pai. O educador, em aulas particulares, transmite a Bruno e a sua irmã de 12 anos lições sobre a atualidade alemã, inserindo a menina cada vez mais dentro do universo da ideologia nazista. Neste momento, revela-se a essência e a facilidade da propagação desse ideal, ao vê-la trocar suas bonecas por cartazes do Führer. Vale destacar a importância do contraste entre a abordagem dos livros estudados sobre os judeus e a vivência do menino, para observarmos a incompreensão da criança diante dos fatos. Quanto ao militar, é impossível não julgar suas posturas. Ao protagonizar cenas de violência capazes de afligir o espectador, seu posicionamento inflexível causa repugnância.

Dentro do quadro familiar, a mãe das crianças toma consciência do profundo envolvimento do marido na execução de judeus no campo de concentração ao lado, sendo incapaz de não vê-lo com indignação. Quando decidiu reverter essa situação, desconhecia o grau de aproximação entre Bruno e Shmuel. Não poderia imaginar que seria tarde demais, pois essa amizade geraria conseqüências irreversíveis.

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
(The Boy In The Striped Pyjamas, 2008. Inglaterra, EUA. 100 min)
Dir.: Mark Herman

17/10 (Sex) | 18h40 | Unibanco Arteplex 3
18/10 (Sab) | 14h40 | Cine Bombril Sala 1
21/10 (Ter) | 21h00 | Cine TAM
27/10 (Seg) | 16h10 | Espaço Unibanco Pompéia 1

Prêmio Teleimage contempla filmes brasileiros da Mostra

As produções serão divididas em longa, média e curta-metragem, mas documentários e filmes de ficção concorrerão juntos.

O Prêmio dará aos vencedores serviços como telecinagem (transformação de película de 35mm para imagem digital, e vice-versa) e edição de som, e a escolha dos filmes que disputarão foi feita de acordo com a votação do Júri Popular.

O vencedor da categoria Melhor Longa Metragem será contemplado com 30 horas de telecine offline (transformação do filme de 35 mm para digital), 15 minutos de transfer (passagem da imagem digital para película 35 mm) e 60 horas de edição de som. O melhor média-metragem ganhará 15 horas de telecine offline e 50 horas de edição de som, e o melhor curta levará 6 horas de telecine offline e 40 horas de edição de som.

A premiação acontecerá no teatro do SESC Pinheiros, no dia 30 de outubro (quinta-feira) às 20 horas.

Veja os filmes brasileiros que concorrem ao prêmio: Continue lendo

Cinema ao ar livre

Como é assistir a um filme no
vão livre do MASP?

MARIA SILVIA FERRAZ
O FINO DA MOSTRA

Assistir a um filme no vão livre do MASP é uma experiência do tipo que só poderia se ter em São Paulo. Durante a 32ª Mostra foram exibidos, de segunda a sexta no MASP, os destaques do evento no ano passado. No dia 27 de outubro, foi a vez de Across the Universe, de Julie Taymor.

O evento reuniu, para minha surpresa, uma multidão de pessoas: jovens, idosos, moradores de rua, moradores dos Jardins, hippies, punks, casais e, claro, gente que passava pela Avenida Paulista e resolveu conferir o porquê do “bafafá”. Nem a fina chuva e o frio espantaram os espectadores, sentados nas cadeiras, no chão ou de pé mesmo.

O barulho dos ônibus passando e das buzinas dos carros criam todo um ambiente diferenciado, em que se pode conversar durante o filme sem ouvir pedidos de silêncio da pessoa ao lado. Em muitos momentos, a platéia cantou, dançou e aplaudiu. O filme, um musical ambientado nos anos 1960, tem como trilha sonora clássicos dos Beatles. Durante a canção “Hey Jude”, uma das últimas a serem tocadas, todos já estavam entrosados e cantando alegremente com a possibilidade de um inesperado final feliz.

Tomara que, da próxima vez, os organizadores da Mostra estejam mais preparados para receber tanta gente. Afinal, descontração é bom, mas ficar de pé por 2 horas nem tanto. Apesar disso, assistir a filmes no vão livre do MASP em plena segunda-feira a noite é prova de que São Paulo ainda oferece boas opções de cultura de graça.